Ao fim de poucos meses de um segundo mandato a governar em minoria, negociando votos fundamentais com o Chega e nomeando figuras indicadas por este partido para cargos municipais, Carlos Moedas encontrou a forma de alcançar a maioria que os eleitores lhe negaram. Para isso cooptou a vereadora Ana Simões Silva, eleita pelo Chega e depois desavinda com o outro vereador Bruno Mascarenhas, acusando-o de a afastar das decisões sobre nomeações para assessores e “tachos” na autarquia.
Lisboa
Vereadora do Bloco questiona Moedas sobre “tacho” do Chega nos Serviços Sociais da CML
A vereadora eleita pelo Chega fica agora com os pelouros da Saúde e do Desperdício Alimentar. Em declarações ao Observador, Carlos Moedas saudou a cooptação para o seu executivo, afirmando que “esta maioria garante estabilidade e coesão à governação e oferece garantias de que o programa que foi sufragado pelos lisboetas, o projeto transformador que temos vindo a pôr em marcha, será executado com sucesso”.
Para a vereadora bloquista Carolina Serrão, esta configuração do poder no município não começa agora, pois “desde o início deste novo mandato que Carlos Moedas tem governado com o Chega”, que o tem apoiado em medidas fundamentais como “a lei da rolha à oposição, a duplicação dos rácios do Alojamento Local face ao que estava previsto na Carta Municipal de Habitação e o Orçamento de 2026”. Além disso, Carlos Moedas “tem vindo a demonstrar uma linha politica securitária e preconceituosa e neste momento formaliza o Chega como aliado”, acrescenta.
Com esta a atribuição de pelouros à segunda vereadora eleita pelo Chega, Moedas passa a ser “o único responsável por todas as decisões na capital”, acrescenta a vereadora do Bloco, comprometendo-se a manter o seu escrutínio sobre o mandato e a apresentar “soluções para os problemas que as pessoas enfrentam, nomeadamente na habitação, transportes, direitos sociais e higiene urbana.”.