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Entre 2008 e 2014, bancos receberam quase 12 mil milhões de fundos públicos

Conta Geral do Estado diz que BES/Novo Banco representou 40% dos gastos com a banca. No total, entre 2008 e 2014, o Estado gastou em apoios públicos ao setor financeiro 11.822 milhões de euros. A este valor soma-se a perda de mais 2.255 mil milhões em 2015, com a anunciada resolução do escândalo Banif.
Foto de Paulete Matos.

O Tribunal de Contas (TdC) fez, pela primeira vez, um levantamento dos apoios concedidos ao setor financeiro e concluiu que "entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao setor financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período 11.822 milhões de euros negativos", cita a Lusa.

Neste período, as despesas públicas com o setor financeiro atingiram cerca de 17.635 milhões de euros (10,2% do Produto Interno Bruto de 2014), tendo por sua vez gerado receitas no montante de 5.813 milhões de euros (3,4% do PIB de 2014).No total, os fluxos líquidos para o setor financeiro atingiram quase 12 mil milhões, o que representa 6,8% do PIB de 2014.

Segundo o documento entregue esta terça-feira, na Assembleia da República, o BES/Novo Banco foi a instituição que recebeu mais ajudas do Estado, num total de 4.685 milhões de euros desde 2008 até 2014, sendo seguido pela CGD que recebeu 3.158 milhões de euros.

O BPN - que entretanto foi vendido ao BIC - surge na terceira posição, tendo entre 2008 e 2014 recebido apoios públicos no valor de 2.784 milhões de euros. Porém, em 2014, o BPN era o que tinha a 31 de dezembro de 2014 mais garantias prestadas pelo Estado, no valor de 3.537 milhões de euros.

Além disto, na rubrica das garantias do Estado, que não estão contabilizadas nos apoios públicos concedidos ao setor financeiro, havia ainda a garantia do Estado de 3.500 milhões de euros ao BES, que transitou para o Novo Banco.

Este levamento realizado pelo TdC começa em 2008, quando ocorreram as primeiras intervenções na banca - reforço do capital social do banco público, a CGD, a nacionalização do “buraco do BPN”, a prestação de garantias pessoais do Estado a diversos bancos nacionais e a insolvência do BPP.

O banco liderado por João Rendeiro, o BPP, recebeu 653 milhões de ajudas públicas e é o 5.º na lista de “beneficiários” de apoios públicos, sendo que a maioria desse capital resulta de uma garantia do Estado ao empréstimo que seis bancos concederam ao BPP, pouco antes da insolvência.

A aquisição de obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCos), emitidas por diversos bancos, e a concessão de empréstimos às sociedades veículo do BPN foram as duas novas formas de apoio usadas em 2012 e 2013.

Em 2014, o dinheiro dos contribuintes canalizado para o sistema financeiro consistiu, na sua maioria, na subscrição do capital do Novo Banco pelo Fundo de Resolução, no valor de 4.900 milhões de euros, ao mesmo tempo que foram concedidos novos empréstimos às sociedades veículo do BPN, no valor de 488,6 milhões de euros.

Banif já compete com BPN em perdas para os contribuintes

Agora, no final de 2015, mais dinheiros públicos - mais 2.255 milhões de euros - serão usados para resolver mais um escândalo bancário: o Banif. Ver dossier: O escândalo Banif.

O Jornal de Negócios diz mesmo que o Banif já compete com o BPN em perdas para os contribuintes. No buraco do BPN já ficaram pelo menos 2,7 mil milhões de euros. O Governo garante que, no caso Banif, perdas não ultrapassarão os 3,2 mil milhões - um valor abaixo do custo previsto para o BPN, embora demasiado alto para o já tão magro bolso dos contribuintes.

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