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Enquanto há dinheiro dos outros…

Um dos partidos que entraram no Parlamento português é a Iniciativa Liberal, ou chamemos pelo verdadeiro nome, a Iniciativa Neoliberal que quer privatizar a Caixa Geral de Depósitos e a RTP – RTP. Texto de Alexandre Fernandes.
Um dos partidos que entrou no Parlamento português é a Iniciativa Liberal, que quer privatizar a Caixa Geral de Depósitos – Foto de Paulete Matos
Um dos partidos que entrou no Parlamento português é a Iniciativa Liberal, que quer privatizar a Caixa Geral de Depósitos – Foto de Paulete Matos

A geringonça foi importante para parar o período de empobrecimento do país. Era mais do que necessário aumentar o salário mínimo, parar com os cortes nos salários e nas pensões, reduzir as propinas e acabar com a venda do país, interrompendo a loucura das privatizações.

Sabemos bem que muito ficou por fazer: tivemos quatro anos de medidas assistencialistas e de emergência social que, embora insuficientes, foram importantíssimas para o novo rumo que o país precisa: mais salário, mais pensão, mais sensibilidade social para quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, porque não vale a pena estar na política se não estivermos cá para lutar pela justiça fiscal e justiça social, mesmo com todos os limites que existem.

Um dos partidos que entraram no Parlamento português é a Iniciativa Liberal, ou chamemos pelo verdadeiro nome, a Iniciativa Neoliberal que quer privatizar a Caixa Geral de Depósitos e a RTP – RTP que, só por acaso, foi o único canal que colocou o presidente da Iniciativa Liberal num debate eleitoral -, tal como querem colocar a taxa de IRS para toda a população a 15% e acabar com os serviços públicos.

No fundo, o ódio aos pobres ou à classe média/média-baixa foi o mote da campanha. Privatizar a sociedade é algo ambicioso mas é igualmente doentio. Os portugueses sabem muito bem o custo da privatização da EDP, em que metade das faturas são taxas, ou a privatização dos CTT, que sempre deu lucro ao Estado e que agora está em mãos de privados, e simultaneamente, os seus serviços à população degradaram-se.

Não é o Estado que é mau gestor, no máximo poderá ser quem o gere. Se há um problema com os gestores públicos vamos resolver a situação de raiz, e isso faz-se com mais intervenção, com democracia, com mais transparência e penalizando quem gere mal o país e o Estado. Isso faz-se com leis específicas e não com uma reversão do papel do Estado. Mas uma pergunta coloca-se para posterior reflexão: se os gestores públicos são assim tão maus, porque é que todos os “gigantes privados” os querem, quando deixam as funções políticas?

Achar que tudo se resolve se colocarmos o país como se fosse uma empresa e em mercados autorregulados é claramente um sonho molhado da elite, mas sabemos bem os seus prejuízos.

Os neoliberais são tão contra o “peso do Estado” que quando um banco privado está prestes a falir, a primeira coisa que fazem é nacionalizar os prejuízos para os contribuintes pagarem a falência, como já acontece com inúmeros bancos, e ainda nos vendem a teoria que “temos de salvar o país”, quando na verdade estamos apenas a salvar quem provocou esses desvarios.

No fim de tudo e com todo o contorcionismo que fazem para acreditarmos que é a política neoliberal que nos vai dar o salto para uma sociedade progressista, ainda nos dizem que o socialismo só dura enquanto há dinheiro dos outros. Afinal não é o neoliberalismo que dura enquanto há dinheiro dos outros?

Artigo de Alexandre Fernandes, estudante universitário de Sociologia no ISCTE.

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