O quinto dia de greve entre as 8h e as 12h abrangia os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Bragança e Vila Real. O sindicato não divulgou números de adesão, mas há notícia que houve grande adesão nalguns locais, como por exemplo em alguns serviços do Hospital de Bragança, como a Urgência e a Unidade de Cuidados Intensivos, onde a paragem foi de cem por cento.
Segundo a agência Lusa, o presidente do sindicatos dos enfermeiros portugueses (SEP), José Carlos Martins, declarou que “há uma fortíssima disposição dos enfermeiros para agudizar as formas de luta caso os ministérios das Finanças e da Saúde na reunião de amanhã [4ª feira, 23 de outubro, às 16.30, no Ministério da Finanças] não evoluam de posição”.
José Carlos Martins disse à Lusa que ao longo desta semana “os enfermeiros foram dando diversas ideias e opiniões, com a noção de que essa agudização das formas de luta passará sempre por greves, manifestações, concentrações ou vigílias, que poderão ser diversificadas de hospital para hospital ou nacionais”.
O presidente do SEP diz que a reunião desta quarta-feira será “decisiva”, visto que “os ministérios da Saúde e das Finanças já assumiram que estão dispostos a negociar todos os aspetos do caderno reivindicativo” nomeadamente os que se relacionam com “as resoluções da precariedade, da mobilidade, dos concursos de enfermeiros principais, questões remuneratórias e a questão do horário de trabalho”.
A carência de enfermeiros, refere o sindicato, é “uma realidade amplamente reconhecida pelos sucessivos governos, também por este, pelos grupos parlamentares, administrações regionais de saúde e conselhos de administrações das instituições que integram o Serviço Nacional de Saúde”.
José Carlos Martins salienta: “Por diversas vezes, este governo assumiu o compromisso de resolver esta situação. Há ano e meio, o Ministério da Saúde assumiu o compromisso de fazer o levantamento de todas as situações precárias. Assumiu que desde que os enfermeiros estivessem a satisfazer as necessidades próprias dos serviços de natureza permanente, passariam a um contrato definitivo. Nada foi feito. A situação mantém-se e agrava-se”.
O SEP frisa: “Há hospitais e centros de saúde que estão a entrar, muitos deles, em rutura. A maioria dos pedidos de prorrogação de contratos, os pedidos de contratos de substituição e os pedidos de admissão não estão a ser aprovados. Existem serviços que voltaram a ter, apenas, um enfermeiro por turno. A maioria dos serviços funcionam com os números mínimos e há muito que o objetivo de se atingir dotações seguras, está colocada em causa”.
A direção nacional do sindicato dos enfermeiros reunirá no próximo dia 30 de outubro para analisar o processo negocial e decidir ações de protesto a realizar.