"Nestas três semanas, estes dois senhores estiveram na empresa duas horas e meia e nada fizeram", acusam os trabalhadores em carta enviada à Procuradoria Geral da República, aos ministérios da Economia e Finanças e aos grupos parlamentares. Os trabalhadores não compreendem como é que a decisão pode ser tomada ao fim de duas reuniões e denunciam que na última o administrador esteve apenas quinze minutos nas instalações desta empresa do Porto.
Na carta citada pelo semanário Expresso, os trabalhadores dizem que a decisão que lhes foi comunicada esta semana é um "perfeito absurdo", uma vez que garantem que a empresa é viável e tem sido delapidada pelas sucessivas administrações. Quanto aos administradores nomeados pelo Tribunal de Comércio de Gaia, sobram as críticas à incúria e inação: "Não responderam aos e-mails que lhes pediam decisões urgentes sobre pagamentos de serviços que ameaçam a paragem da empresa, designadamente comunicações, eletricidade, água, etc. Não autorizaram faturação superior a 200 mil euros porque se recusam a pagar de frete cerca de dez mil euros. Há ainda vendas garantidas superiores a 500 mil euros, já hoje, e vai haver penalizações elevadas pela não entrega. E muito mais se conseguiria se nos deixassem", lê-se no documento.
A Ambar emprega 150 trabalhadores, mas já empregou mais de 1000. Nos últimos anos acumularam-se os depedimentos coletivos, salários em atraso e dívidas à segurança social. Há um ano, os trabalhadores acusaram a administração de agravar o problema, ao descapitalizar a Ambar, usando os capitais da própria empresa para adquirir as participações dos restantes acionistas. Apesar de ter recebido cinco milhões de euros do Fundo Imobiliário de Apoio às Empresas, depressa se viu incapaz de cumprir com o pagamento das rendas ao fundo público. O Bloco de Esquerda interveio junto do Ministério da Economia sobre o acompanhamento da situação por parte do Governo e da Autoridade para as Condições do Trabalho.
Ao mesmo tempo que despedia trabalhadores alegando a extinção do posto de trabalho, a administração subcontratava trabalhadores para as mesmas funções. Em seis anos passaram seis administrações pela empresa, com os diretores dos departamentos a mudarem permanentemente. Foi nesse contexto que os trabalhadores recorreram à justiça, para evitar o que estava à vista de todos: o encerramento de uma empresa com clientes e encomendas, mas sem rumo nem estratégia por parte dos administradores.