O Bloco de Esquerda denunciou esta terça-feira as manobras da administração da empresa Ambar, no Porto, para conseguir a intensificação do ritmo da exploração do trabalho, espalhando o “sentimento generalizado de medo” entre os trabalhadores, através dos despedimentos colectivos.
Em 2000, a Ambar contava com 722 pessoas ao seu serviço, enquanto que no final de 2009 já tinha menos de 300 trabalhadores em Portugal. Este ano já procedeu ao despedimento colectivo de mais 32 trabalhadores. Agora pretende despedir mais cinco, denuncia o Bloco de Esquerda em comunicado.
“Esta empresa não tem comissão de trabalhadores e há este sentimento que é a ameaça do desemprego e da precariedade que tende a deixar os trabalhadores mais paralisados na reivindicação dos seus direitos”, afirmou à Lusa o deputado José Soeiro, após um encontro com alguns funcionários da Ambar.
O deputado bloquista lembrou que “em Maio, a empresa pôs na rua 32 trabalhadores da parte do armazém”, mas o espaço continuou a funcionar porque a administração “subcontratou outra empresa”.
Soeiro salientou que há intenção de a Ambar despedir “mais cinco trabalhadores” com base no “argumento da extinção do posto de trabalho e das dificuldades da empresa”.
Ora não há extinção do posto de trabalho “porque depois a empresa subcontrata trabalhadores para o mesmo tipo de funções e, por outro lado, os últimos relatórios que a empresa apresentou, de 2008, indicam um resultado positivo de quatro milhões de euros”, argumenta o deputado.
O Bloco de Esquerda também acusa o governo de se demitir de acompanhar e fiscalizar as relações de trabalho, já que nem sequer colocou a Autoridade para as Condições do Trabalho a investigar este despedimento colectivo.