Em comunicado enviado ao jornal O Minho, a administração do Hospital de Braga informa que a urgência e o bloco de partos estarão “condicionados” ao longo de todo o dias a 5, 6, 12, 13, 20, 26 e 27 de agosto. Nos dias 4, 11, 19 e 25 a urgência e o bloco de partos só funcionarão até às 8h. Já nos dias 7, 14, 21 e 28, a urgência e bloco partos estarão encerrados entre as 0h e as 8h. O jornal avança ainda que, nos períodos de condicionamento, o bloco de partos estará em funcionamento para as utentes e parturientes que se encontram internadas no Hospital de Braga.
O Conselho de Administração do Hospital de Braga afirma-se “empenhado em prestar cuidados de saúde de excelência, e procura, constantemente, reunir as condições necessárias, com vista a garantir o acesso permanente ao Serviço de Urgência de Ginecologia e Obstetrícia, minimizando o possível impacto às utentes grávidas da região”.
A administração assegura ainda continuar empenhada “no desenvolvimento de esforços para assegurar o funcionamento do Serviço de Urgência de Ginecologia e Obstetrícia na sua plenitude, em sólida articulação com a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, de forma a cumprir o plano Nascer em Segurança no SNS”.
Bloco questiona Governo
O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda deu entrada de uma pergunta ao Governo sobre o encerramento do serviço de ginecologia/obstetrícia no Hospital de Braga.
Catarina Martins escreve que esta é “uma ocorrência grave, que causa profunda instabilidade às mulheres grávidas” e lembra que este “encerramento não está nem nunca esteve contemplado no plano Nascer em Segurança, amplamente divulgado pelo Governo e pela Direção Executiva do SNS como um garante de estabilidade”.
A deputada assinala que o documento, que já vaticinava o encerramento de 11 maternidades pelo país fora, mostra estar “desajustado e desatualizado, assim como a estratégia do Governo que apenas introduz mais instabilidade no SNS”.
Reconhecendo “o trabalho que tem vindo a ser feito por parte do Hospital de Braga para ultrapassar as dificuldades relacionadas com o serviço de obstetrícia”, o Bloco “exorta as entidades competentes para que seja encontrada uma solução capaz, urgente e permanente que permita assegurar o funcionamento do serviço de obstetrícia com continuidade e sem constantes percalços”.
“Esta situação deixa ficar bem claro, mais uma vez, como é tão fundamental investir no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e nos seus trabalhadores, assegurando carreiras, horários e salários condignos a todos os seus profissionais”, defende Catarina Martins.
O Bloco quer saber qual a razão para o encerramento da urgência de obstetrícia do hospital de Braga ao longo do mês de agosto e o que planeia o Governo fazer para que não haja interrupção no funcionamento do serviço de obstetrícia do Hospital de Braga durante o mês de agosto de 2023.
Na pergunta endereçada ao Governo, Catarina Martins questiona o que é feito do Plano Nascer em Segurança, onde não se previa o encerramento deste serviço, e como pensa o Governo lidar com a instabilidade que está a causar nas populações e, em particular, nas grávidas.
Por último, o Bloco quer saber quantos médicos, enfermeiros, auxiliares seriam necessários para assegurar o normal funcionamento e escalas de trabalho do serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Braga.