Eram 9h20 em Maputo (7h20 em Portugal continental) quando a polícia levou a cabo a primeira carga policial sobre centenas de pessoas que tentavam sair do bairro de Maxaquene em direção ao centro da capital, para se manifestarem contra o resultado anunciado das eleições gerais. Os manifestantes dispersaram, mas voltaram a juntar-se passado pouco tempo, desta vez arremessando pedras e garrafas em resposta ao gás lacrimogéneo usado pelas forças de segurança.
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Está marcada para esta quinta-feira uma concentração em Maputo, convocada por Venâncio Mondlane, candidato presidencial que está a contestar o resultado das eleições apresentado pela Comissão Nacional de Eleições. A polícia marca forte presença, com viaturas blindadas e a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) reforçando os meios que já utilizou para reprimir os protestos nas últimas semanas. Contra os manifestantes, as forças policiais utilizaram granadas de gás lacrimogéneo, e pelo menos uma pessoa ficou ferida.
Desde 21 de outubro que Moçambique tem visto o aumento dos protestos contra o resultado das eleições, e uma resposta desproporcional de repressão policial. Para além disso, têm sido impostas restrições fortes no acesso à Internet e em particular às redes sociais. Passados três dias desde a primeira manifestação, que foi marcada pelos confrontos com a polícia, a Comissão Nacional de Eleições de Moçambique atribuiu a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), com 70,67% dos votos. Os resultados ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.
A polícia deteve quase três mil pessoas, que entretanto foram libertadas. A Ordem dos Advogados de Moçambique, que revelou os números, tomou também crédito pelas libertações e apelou ao Presidente da República para que iniciasse um “diálogo genuíno” para evitar um “banho de sangue” esta quinta-feira. Segundo a Ordem, a maior parte das detenções foram ilegais.
Depois dos protestos iniciais, Mondlane convocou novamente uma paralisação geral de sete dias, que começou a 31 de outubro e culminará com a manifestação desta quinta-feira.