Mário Camões, formado em gestão, trocou a carreira no setor tecnológico na Europa pela ligação à terra onde nasceu, criando uma micro-empresa agrícola. Dedica-se também ao ativismo local, ecológico e cultural e encabeça a lista da coligação Esquerda Livre, que junta o Bloco de Esquerda e o Livre na candidatura às autárquicas em Castelo Branco. O Esquerda.net falou com ele sobre o balanço da atual gestão municipal e as propostas que traz à campanha.
Autárquicas
Bloco integra 22 coligações e apresenta listas próprias em 63 concelhos
Qual o balanço dos últimos quatro anos do mandato de governação aqui em Castelo Branco?
O balanço dos últimos quatro anos é o balanço dos últimos 20, provavelmente. Os últimos 27 anos foram de governação do partido que nós chamamos que ‘não é socialista’, o PS. Uma governação liberal sem qualquer tipo de estratégia de retenção da riqueza que aqui é gerada, de atração de qualquer tipo de investimento sem critério e que se tem convertido no que vemos hoje em dia: grandes superfícies comerciais, multinacionais que criam emprego pouco qualificado, precário e mal pago.
Na nossa candidatura da Esquerda Livre, queremos ser uma mudança de paradigma no que respeita à componente económica. Queremos que a Câmara seja a força motora de transformação do modelo económico, queremos gerar emprego e riqueza que seja aqui mantida, nomeadamente através do apoio ao setor cooperativo.
Para os próximos quatro anos, a Esquerda Livre tem uma visão de como mudar a economia da cidade e de como transformar a cidade urbanisticamente?
Sim, a nível económico queremos aliar os nossos recursos naturais e humanos à geração de emprego. Castelo Branco não é pobre. As pessoas são pobres mas a região não é pobre nem em recursos nem em talento, mas é necessária uma estratégia económica diferenciadora que nos faça subir na cadeia de valor. Urbanisticamente queremos uma cidade que vá de encontro às melhores práticas, com um aumento significativo do parque habitacional público e cooperativo, que sabemos que são duas medidas que levam a conter a inflação na habitação e combater a crise da habitação.
E de forma mais urgente, o que se coloca de imediato como prioridade para a Esquerda Livre?
A questão da habitação. Não há falta de casas e edificado, mas continuamos a construir através de imobiliárias e construtoras, novas urbanizações com tipologias completamente desfasadas das necessidades. O que precisamos é de um mercado de arrendamento acessível. A mediana dos salários aqui em Castelo Branco é muito baixa e o problema não se resolve com moradias a 500 mil euros, que é o que se vê nos sites imobiliários. A prioridade é a geração de emprego que permita fixar famílias. Não apenas as grandes superfícies que criam salários baixos e empregos precários, mas empregos que realmente alavanquem aquilo que de melhor cá temos, os recursos naturais, endógenos, e ecoturismo sustentável e comunitário e uma reindustrialização. Temos uma política industrial de transformação dos nossos recursos naturais mas também de reparação.