Eleições em Israel não desfazem impasse político

06 de março 2020 - 12:20

As terceiras eleições em menos de um ano parecem não ter servido para formar uma maioria no parlamento. O partido Likud de Netanyahu foi o mais votado e a lista árabe teve o melhor resultado de sempre.

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Benjamin Netanyahu
Foto Kobi Gideon / Gabinete do PM Israel / Flickr

A poucas semanas de ir a tribunal responder por acusações de corrupção, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu teve mais um dissabor político nas eleição do passado dia 2 de março. Com 99.9% dos votos contados, o seu partido Likud ficou à frente com 36 deputados eleitos (29.48% dos votos) e seguido de perto pelo partido Azul e Branco do ex-chefe das tropas do país, Benny Gantz, com 33 deputados (26.59%).

Contas feitas ao número de eleitos, o bloco da direita que inclui o partido de Netanyahu e ultra-ortodoxos fica com 58 deputados, abaixo dos 61 necessários para a maioria que permitiria formar governo e provavelmente garantir imunidade ao primeiro-ministro face às acusações de ter recebido subornos em troca de favores a alguns amigos bilionários.

Por seu lado, Benny Gantz admitiu a desilusão com o resultado e recusou qualquer aliança com Netanyahu. Para afastar de vez o líder do Likud, o militar do partido Azul e Branco diz que vai tentar juntar uma maioria a favor de uma lei que impeça um primeiro-ministro acusado na justiça de exercer funções.

A imprensa israelita colocou também o cenário de o partido secularista Yisrael Beytenu poder desequilibrar a balança a favor de Netanyahu e assim evitar uma quarta eleição. Mas o seu líder Avigdor Liberman afirma que recusa entrar em governos quer com os partidos ultra-ortodoxos, quer com a Lista Conjunta dos candidatos árabes. Resta agora ao Likud negociar com “desertores” dos restantes partidos para viabilizar um governo.

Lista árabe atinge melhor resultado de sempre

A Lista Conjunta que representa a população palestiniana em Israel consolidou a posição de terceira força política, elegendo 15 deputados. “Já fizemos a nossa parte. Impedimos um governo de exttrema-direita de Netanyahu”, afirmou Dean Issacharoff, porta-voz do presidente do partido.

Nas eleições de abril de 2019, os candidatos árabes conseguiram dez mandatos. Depois uniram-se na Lista Conjunta para as eleições de setembro, tendo eleito 13 deputados. Para a nova subida nas eleições desta semana contribuiu a forte afluência às urnas da população árabe e também o descontentamento com o plano de Trump, que prevê retirar a cidadania a dezenas de milhares de árabes israelitas que vivem em 10 cidades a incluir num futuro Estado palestiniano.

Por outro lado, esta Lista Conjunta atraiu também eleitores da esquerda israelita, cujos partidos têm perdido influência à medida que a política do país sofre uma viragem acentuada à direita. “Nunca estivemos numa posição tão influente” na política de Israel, confirma ao Guardian Dean Issacharoff.