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Eleições em Israel: direita e extrema-direita vencem, esquerda sobrevive

Nas eleições legislativas desta terça-feira, ainda não é claro se o bloco da direita nacional-liberal, religiosa e da extrema-direita, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, terá conseguido obter maioria absoluta no Parlamento. Por Jorge Martins
Mesa de voto nas eleições em Israel, 23 de março de 2021 – Foto de Atef Safadi/EPA/Lusa
Mesa de voto nas eleições em Israel, 23 de março de 2021 – Foto de Atef Safadi/EPA/Lusa

Nas eleições legislativas realizadas esta terça-feira em Israel, as quartas nos últimos dois anos, ainda não é claro se o bloco da direita nacional-liberal, religiosa e da extrema-direita, liderado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, terá conseguido obter os 61 lugares que lhe darão uma maioria absoluta no Parlamento, de acordo com projeções avançadas pelos três principais canais de televisão do país, baseadas em sondagens à boca das urnas, e quando muito poucos votos estão contados.

De acordo com aquelas, o seu partido, o Likud, mais os religiosos Shas e UTJ e o Partido Sionista Religioso de extrema-direita (HaTzionut HaDatit) somam 53 mandatos, a que se juntam os sete do Yamina, de Naftali Bennett, num total de 60, ou seja, exatamente metade do Parlamento.

Os partidos centristas, que se apresentaram, em 2020, unidos na coligação Kahol Lavan (Azul e Branco) perderam votos. O fim da aliança enfraqueceu-os, embora não tenham, para já, perdido a esperança de liderar uma maioria alternativa no âmbito do chamado bloco da mudança.

No seio deste, as forças políticas árabes sofreram fortes perdas, quer devido ao abandono da lista conjunta por parte dos islamitas moderados, que não deverão conseguir superar a cláusula-barreira nacional de 3,25%, quer devido à fraca afluência às urnas dos eleitores árabes israelitas, ao contrário do que havia sucedido no ano passado.

Já o partido de esquerda Meretz, que aparecia mal colocado nas pesquisas, algumas das quais o colocavam abaixo da cláusula-barreira, não só a superou, mas também aumentou a sua votação e o número de lugares parlamentares.

Contudo, este bloco é uma coligação extremamente heteróclita, que junta, simultaneamente, partidos árabes e da direita nacionalista judaica, pelo que uma solução governativa por eles protagonizada será sempre uma solução muito frágil.

Assim, seria constituído pelos centristas Yesh Atid, de Yair Lapid, o Kahol Lavan, de Benny Gantz, o New Hope, do ex-ministro Gideon Sa’ar, de centro-direita, o Yisrael Beitanu, de Avigdor Lieberman, da direita nacionalista, o Partido Trabalhista, o partido de esquerda Meretz e a Lista Conjunta árabe. No fundo, pouco mais os une para além do desejo de afastar Netanyahu.

A participação eleitoral reduziu-se, em especial entre o eleitorado árabe, tendo passado de 71,5 para 67,2%.

Para já, e de acordo com a média das referidas projeções, aliás com valores muito próximos para todas as forças políticas, o número de eleitos para o Parlamento (Knesset) tenderá a ser o seguinte:

Likud (direita conservadora)……………..30 (36)

Yesh Atid (centro)…………………………17 (16) a)

Shas (direita religiosa sefardita)…………..9 ( 9)

Lista Conjunta (esquerda, árabe)………………..8 (11) b)

Kahol Lavan (centro)………………………..8 (12) a)

Yamina (direita radical)……………………..7 ( 5) c)

Trabalhistas (centro-esquerda)……………………7 ( 3) d)

Yisrael Beitanu (direita nacionalista)………7 ( 7)

Sionismo Religioso (extrema-direita)………..7 ( 1) c)

UTJ (direita religiosa ashkenazim)…………7 ( 7)

Meretz (esquerda)……………………………7 ( 3)

Nova Esperança (centro-direita)….………………..6 ( 2) a)

Ra’am (islamita moderado, árabe)………….0 ( 4) b)

  1. Em 2020, estes partidos concorreram em conjunto na aliança Kahol Lavan, tendo obtido 33 lugares: 16 do Yesh Atid, 12 do partido Kahol Lavan, 3 do Telem (que não decidiu não participar nestas eleições) e 2 do Derekh Eretz (que aderiu à Nova Esperança)

  2. Em 2020, concorreram em conjunto, elegendo 15 deputados

  3. Em 2020, o Lar Judaíco, uma das componentes do Sionism Religioso, concorreu em conjunto com a Yamina, tendo a coligação obtido 6 mandatos.

  4. Em 2020, concorreram em conjunto com o Gesher, obtendo 7 mandatos, mas a líder deste último aceitou agora integrar as listas do Likud.

Quando estiver contada uma maior percentagem de votos será possível termos uma ideia mais correta da situação. Mas, para já, nada indica que estas eleições tenham resolvido o problema da instabilidade política que tem afetado o Estado judaico nos últimos tempos.

Artigo de Jorge Martins

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Aderente do Bloco de Esquerda em Coimbra
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