“Esta é a face mais cruel da austeridade”, denunciou João Semedo, a propósito dos cortes de eletricidade impostos pela EDP a moradores de bairros do Porto. “A austeridade tira o emprego e os apoios sociais mas também os bens essenciais como a água, gás, a alimentação, medicação de que as pessoas precisam para não caírem na miséria. A austeridade está a criar um apartheid social para onde são atirados os que deixam de ter condições não apenas para viver mas até para sobreviver.”
João Semedo e José Soeiro foram na manhã deste sábado ao bairro do Lagarteiro, para fazer contactos com a associação e os moradores que se viram subitamente alvo de uma ofensiva por parte da EDP, cujos técnicos, escoltados por 30 polícias, cortaram a eletricidade a moradores que não pagaram as contas. Na quinta-feira, mais de 300 pessoas se viram privadas do fornecimento da eletricidade no Lagarteiro; na sexta, a EDP foi ao bairro do Contumil com o mesmo objetivo.
EDP não pode ignorar as consequências
“A EDP demonstrou crueldade social ao cortar a luz”, disse o coordenador do Bloco de Esquerda, para quem o governo tem de exigir responsabilidade social à empresa.
“Quando se corta a eletricidade a pessoas que já vivem com tantas e tantas dificuldades isso é crueldade social. A EDP não vende automóveis, não vende bicicletas, vende um serviço de enorme impacto social e não pode ignorar as consequências das atitudes como esta que acaba de tomar”, afirmou João Semedo.
Para o Bloco, trata-se de uma situação de emergência social, já que “quem não paga a água, a eletricidade e outros bens e serviços é porque não tem dinheiro e faz escolhas dramáticas: ou paga a eletricidade ou compra a medicação, ou compra a medicação ou paga a renda, ou paga a renda ou paga os estudos do seu filho”.
O deputado sublinhou que “as empresas como a EDP têm responsabilidades sociais e o governo deve exigir que elas as cumpram. O governo tem de exigir que a EDP tenha essa responsabilidade social de não deixar as pessoas às escuras, porque às escuras é a antecâmara de um submundo que não é aceitável no Portugal que nós ajudamos todos a construir”, sustentou.
Rui Moreira diz que não sabia de nada
Questionado pela imprensa ao fazer uma visita a outra freguesia da capital nortenha, o presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, disse que “a nossa preocupação principal é que a CMP não foi informada”, defendendo que “a CMP e os seus eleitos devem pelo menos ser informados previamente do que sucede, e nós não fomos informados. Não pode ser. O povo do Porto não pode ser informado através dos fornecedores de serviços daquilo que lhes vai suceder”, acrescentou.