Porto: Protestos junto à EDP contra os cortes em bairros da cidade

01 de novembro 2013 - 18:22

Dezenas pessoas protestaram, nesta sexta-feira junto às instalações da EDP no Porto, contra os cortes de luz nos bairros do Lagarteiro e de Contumil. No facebook foi criada uma página “Faz a tua reclamação à EDP”. Também nesta sexta-feira, a população do Bairro do Lagarteiro foi surpreendida com o anúncio do encerramento da unidade de saúde local.

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Bairro do Lagarteiro, no Porto

Esta tarde dezenas de pessoas juntaram-se num protesto, junto à EDP Porto, convocado pela redes sociais - numa página associada ao movimento Que Se Lixe a Troika! O protesto visou mostrar “solidariedade” para com as famílias de dois bairros sociais do Porto a quem a EDP cortou o fornecimento de eletricidade por dívidas.

Um dos manifestantes disse à agência Lusa: “Estamos aqui por solidariedade com as pessoas a quem a EDP cortou energia, tanto no Lagarteiro mas não só, porque isto está a acontecer um pouco por toda a cidade. As pessoas têm que escolher, ou comem ou pagam a luz”.

Presente no protesto, José Soeiro disse à Lusa que algumas pessoas entraram nas instalações da EDP e “preencheram o livro de reclamações, dizendo que uma empresa que fornece um serviço que é essencial deve também ser chamada à responsabilidade e ter algum critério social”.

Soeiro diz que “num contexto de emergência social, não é aceitável que pessoas fiquem sem acesso à água e à luz em pleno século XXI” e defende: “Precisamos de garantir, juntando a Segurança Social, a autarquia [e] a própria EDP, que a ninguém é cortada água nem a luz por situações de carência e emergência social”

No facebook foi criada uma página “Faz a tua reclamação à EDP”, que apela a que as pessoas protestem no site da EDP, escrevendo:

"A energia elétrica é um bem essencial para garantir condições mínimas de vida das pessoas. Num contexto de crise é inaceitável que famílias, por razão de grave carência económica, fiquem sem acesso a este recurso fundamental. Uma empresa com o peso da EDP tem uma responsabilidade acrescida em garantir critérios sociais na prestação dos seus serviços. Há que procurar alternativas à aparente inevitabilidade dos números. Qual é o papel que a EDP está disposta a ter face a esta conjuntura?"

Entretanto, nesta sexta-feira, a população do Bairro do Lagarteiro foi confrontada com o anúncio do encerramento da unidade de saúde local.

A presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro, Fernanda Gomes, disse à Lusa que a população do bairro está “desiludida, magoada” e sente-se “discriminada”.