Num comunicado tornado público esta segunda-feira, e entretanto subscrito por mais de uma centena de pessoas ligadas a diversas áreas culturais, cerca de duas dezenas de associações, editoras e livrarias dizem ter assistido “com profunda preocupação e indignação” aos “repetidos ataques de elementos da Habeas Corpus e do partido de extrema-direita “Ergue-te” a escritoras de livros infantojuvenis e a bibliotecários, à leitura tranquila numa Biblioteca pública e a apresentações de livros e debates”.
Extrema-direita
Ataque a escritora: Ministra confrontada com ausência de medidas de segurança preventivas
Os subscritores sublinham que além da intenção de boicotar livros, autoras e o seu público, os mesmos elementos têm invadido a privacidade das autoras com o objetivo de criarem um clima de medo e insegurança. E lembram que muitos destes ataques têm sido feitos em locais públicos, gravados pelos seus autores “e, depois, orgulhosamente partilhados nas redes sociais”.
O mais recente teve como alvo a escritora Mariana Jones no lançamento de um livro sobre Rui Nabeiro numa livraria no NorteShopping em Matosinhos, com elementos daquele grupo de extrema-direita a invadirem a sala para interromper a sessão, levando a autora a ter de sair do local sob proteção dos seguranças do centro comercial. Este não foi o primeiro ato de intimidação de que a escritora foi vítima por parte daquele grupo após ter lançado um livro intitulado "O Pedro gosta do Afonso", o que despertou a ira dos homófobos.
Assim, é em defesa dos direitos sociais e culturais consagrados na Constituição que o grupo de editores e livreiros apela à ministra Margarida Blasco que tome “medidas urgentes para impedir a continuação destes incidentes graves e para garantir a segurança e a liberdade de qualquer cidadã(o)” e à Justiça para “agir com urgência em relação às queixas apresentadas”.
“Não podemos deixar que a censura, a perseguição e a intimidação voltem a fazer sombra sobre livros, autores e leitores”, concluem os subscritores, apelando às livrarias, bibliotecas, feiras de livros e outras entidades organizadoras de eventos a “tomar medidas de precaução e apresentar queixa às autoridades sempre que o seu espaço é invadido e a liberdade, segurança e conforto dos seus clientes e utilizadores são postos em causa”.