É tempo de lutar por aumentos de salários e pensões, afirma Catarina

07 de julho 2022 - 19:12

Na manifestação da CGTP, a coordenadora do Bloco afirmou que “os preços vão subindo e os salários são cada vez mais curtos” e criticou a incapacidade de o governo ouvir as pessoas, de não ter nenhum mecanismo de controle de preços, de não olhar para os exemplos europeus de atualização de salários.

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Manifestação da CGTP esta quinta-feira. Foto Rodrigo Antunes/Lusa

“É muito importante haver no país quem se manifeste contra aquilo que toda a gente está a ver: os preços vão subindo e os salários são cada vez mais curtos”, começou por afirmar Catarina Martins, em resposta a perguntas de jornalistas na manifestação convocada pela CGTP que juntou milhares de trabalhadores esta quinta-feira em Lisboa.

“Este governo tem sido incapaz de ouvir seja quem for. Não ouve quem vai ao supermercado ou à bomba de gasolina e desespera, não tem nenhum mecanismo de controlo de preços, que é o que a população em Portugal mais pede, não ouve quem trabalha e diz que os salários têm que ser atualizados, não olha sequer para os exemplos europeus de atualização de salários”, criticou a coordenadora do Bloco de Esquerda, referindo também o controle de preços, impostos sobre os lucros caídos do céu.

Sobre a inflação, Catarina Martins afirmou: “o que está a acontecer com a inflação é corte de salários”. E acrescentou que “os cortes de salários podem ser feitos direta ou indiretamente, a inflação é um corte indireto, porque face às subidas dos preços os salários valem cada vez menos”.

A coordenadora bloquista salientou ainda que “a nossa economia só será forte se tivermos capacidade para valorizar os salários”, frisando que “agora é tempo de lutar pelos salários para enfrentar os custos de vida concreta”.

Isabel Camarinha: Proposta do Governo de alteração da lei laboral é "cedência aos patrões".

A manifestação da CGTP partiu do Marquês de pombal para a Assembleia da República para exigir aumento geral de salários e pensões, incluindo o aumento do salário mínimo para os 800 euros com efeitos retroativos a 1 de julho. A redução do horário de trabalho para as 35h no público e privado, a erradicação da precariedade e a revogação das normas gravosas da legislação laboral são outras das reivindicações da central sindical. A manifestação encerrou um mês de lutas contra o aumento do custo de vida e o ataque aos direitos de quem trabalha.

Na sua intervenção, Isabel Camarinha afirmou que "os tempos recentes demonstraram que os direitos, a reposição e conquista de direitos, não são inimigos do crescimento, pelo contrário, são uma alavanca" e que "por mais voltas que dêem, a riqueza criada no nosso país permite outra distribuição, já!".

"No presente ano, a produtividade vai aumentar, mas a previsão é de que os salários reais percam, e muito. O dinheiro que falta nos bolsos de quem trabalha e trabalhou, sobra nas contas dos paraísos fiscais e nos dividendos de milhares de milhões de euros", prosseguiu a secretária-geral da CGTP.

Para Isabel Camarinha, "a falta de investimento e a degradação dos serviços, a desvalorização das carreiras e das profissões, a redução dos salários reais na Administração Pública que a maioria PS pratica, é o terreno fértil para PSD, Iniciativa Liberal e Chega avançarem no ataque ao direito à saúde, à educação, à protecção social, à habitação, à justiça e à cultura". Quanto à proposta da alteração da lei laboral que o Parlamento se prepara para debater, trata-se de uma "cedência aos patrões".

"Bem pode o Governo vir com a propaganda de que quer aumentar os salários por via de um Acordo na Concertação Social, que enquanto não for revogada a norma da caducidade e reintroduzido o princípio do tratamento mais favorável, o patronato terá esses instrumentos para travar o aumento dos salários, para negar a valorização das carreiras e profissões, para tentar impedir melhores condições de vida e de trabalho, que só com a luta os trabalhadores têm contrariado", concluiu Camarinha, prometendo mais ações de luta em julho e agosto.