Está aqui

“É preciso acabar com cultura de silêncio que banaliza e aceita violência contra as mulheres”

Mariana Mortágua afirmou que a violência contra as mulheres “cresce no machismo”, em quem acha “que as mulheres têm de ser subalternas, invisíveis” e, por isso, “o combate à violência é também um combate pela afirmação dos direitos das mulheres”.
Foto Esquerda.net.

No início da Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, que este sábado volta a sair à rua para gritar bem alto: “Basta de violência machista”, Mariana Mortágua sublinhou que “o maior problema de violência em Portugal é a violência contra as mulheres”.

A coordenadora do Bloco defendeu que é preciso haver sensibilização junto das forças de autoridade que as mulheres procuram quando são vítimas de violência e dos tribunais que julgam estes casos.

A esse respeito, Mariana Mortágua lembrou que, “em muitos casos, os assassinatos ocorrem quando já existiam queixas anteriores e nada foi feito. Ou ocorrem porque, muitas vezes, estas mulheres não têm condições económicas para se autonomizar, e a crise da habitação é um obstáculo à emancipação destas mulheres e um obstáculo a que se libertem de relações abusivas”.

A dirigente bloquista considera que esta sensibilização é fundamental para que “a violência não fique impune”.

Mariana Mortágua afirmou ainda que é preciso acabar com a “cultura de silêncio que banaliza e aceita a violência contra as mulheres”.

“A violência contra as mulheres cresce no machismo, cresce no desrespeito pelas mulheres, em quem acha, de uma forma ou de outra, que as mulheres têm de ser subalternas, invisíveis”, apontou a coordenadora do Bloco.

“Quando damos visibilidade às mulheres estamos a combater a violência. E é por isso que o combate à violência é também um combate pela afirmação dos direitos das mulheres”, acrescentou Mariana Mortágua.

A dirigente bloquista lembrou ainda uma das proposta do Bloco nesta área, no sentido de tornar a violação num crime público.

Vinte e cinco mulheres assassinadas em 2023

De acordo com o Observatório das Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (OMA/UMAR) foram assassinadas 25 mulheres em Portugal entre 1 de janeiro e 15 de novembro de 2023.

As informações recolhidas permitiram classificar quinze assassinatos como femicídios, mulheres "assassinadas num contexto de relação de intimidade, atual ou prévia”. No mesmo período, registaram-se ainda 38 tentativas de homicídio a mulheres, das quais 25 podem ser classificadas como tentativas de femicídio.

(...)