É necessário “combater a cultura do machismo”, diz Mariana Mortágua

05 de abril 2025 - 16:16

Coordenadora esteve presente na manifestação "Violação não se filma, condena-se", apontando o dedo a uma "cultura machista" que está a ser impulsionada pelas redes sociais.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Fotografia de Rafael Medeiros

Este sábado, a coordenadora do Bloco de Esquerda esteve presente na manifestação em frente à Assembleia da República com o mote “Violação não se filma, condena-se”. O protesto foi marcado no contexto do caso de três jovens detidos por suspeita de violação de uma rapariga de 16 anos, que foi partilhada nas redes sociais.

“O Bloco de Esquerda defende que a violação deve ser crime público e temos feito essa luta no parlamento”, disse a coordenadora do Bloco de Esquerda. Mas alertou para o facto das questões relacionadas às violações não se limitarem “à questão punitiva”, mas que estão relacionadas “a uma cultura”.

“Sabemos que as mulheres são as maiores vítimas e que o machismo existe, o problema é que os machistas estão a ser tornados em profetas de Internet e a contaminar toda uma geração”, aponta a dirigente bloquista.

É necessário, por isso, “combater a cultura do machismo”, defende. E para isso, há três coisas “essenciais”. A primeira é “a reação da sociedade”, como é o caso desta manifestação em particular. “Toda a gente fica preocupada com isto”, disse Mariana Mortágua. A segunda é a capacidade das escolas e a importância da disciplina de cidadania na educação e no pensamento dos jovens sobre estes temas, e a terceira é haver espaços de socialização onde os jovens possam identificar que estes são comportamentos negativos.

“O que está a mudar é uma cultura de redes sociais que promove a visibilização do machismo e isso tem um impacto. As redes sociais mudaram a forma como nós comunicamos, e nós temos de reconhecer isso”, defendeu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

A segunda coisa que muda é a extrema-direita estar “na Assembleia da República, nos lugares de poder nos Estados Unidos da América, à frente das grandes empresas, como é o caso de Musk”. “O caldo que estão a criar é um caldo perigoso que temos de combater. É um combate na lei mas também é um combate cultural e sobre a regulação das redes sociais”.

Mariana Mortágua considera que este caso em particular “é muito preocupante”, sendo uma mistura de “machismo, cultura de violação que atingiu as redes sociais através de influenceres de extrema-direita” que tem de ser combatida com “regulação das redes sociais, luta feminista e dando espaços de socialização aos jovens”.