Um texto subscrito por cerca de quarenta coletivos e mais de mil pessoas pede que os três jovens suspeitos de terem violado uma rapariga, em Loures, sejam suspensos das redes sociais. O objetivo é impedir “que continuem a instrumentalizar o crime e a expor a vítima”.
Os três jovens, que têm entre 17 e 19 anos, foram detidos há uma semana pela Polícia Judiciária por suspeita de violação de uma rapariga de 16 anos. Os suspeitos partilharam o vídeo do crime nas redes sociais, que terá sido visto por milhares de pessoas. São descritos como “youtubers” e “influencers”.
A carta aberta critica a decisão do tribunal de libertar os jovens e aplicar medidas de coação por evidenciar “um problema sistémico na aplicação de medidas de coação inadequadas”, causando “indignação e alarme”.
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“Este caso não se limita à responsabilidade dos alegados autores da violação, mas envolve múltiplos crimes, diversos envolvidos e distintas responsabilidades. A partilha e visualização do material sem denúncia também configura crime e deve ser alvo de investigação rigorosa”, lê-se na carta aberta.
São criticadas as redes sociais “que permitem a livre circulação de conteúdos criminais e que, com frequência, os monetarizam”. Segundo o Público, os jovens terão ainda acesso às redes sociais, tendo um deles publicado um vídeo em que nega os factos e acusa a vítima de mentir.
Por isso, os subscritores da carta aberta pedem a suspensão dos suspeitos das redes sociais, considerando que “a ineficácia das medidas aplicadas já se reflete na conduta dos arguidos, que continuam a utilizar as redes sociais atentando contra a dignidade da vítima”.
Entre as associações subscritores estão o Coletivo Feminista de Sintra, a Associação Não Partilhes, a Rede 8 de Março, a UMAR e a Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres (APEM).