A operação policial “Safra Justa” levou esta semana à detenção de 17 pessoas suspeitas de pertencerem a uma rede criminosa que escravizou centenas de imigrantes. Em comunicado, a distrital de Beja do Bloco de Esquerda lembra que não é a primeira grande operação da Polícia Judiciária em plena campanha da azeitona, pois já em 2022 e 2023 houve operações semelhantes: uma delas ainda está em julgamento e o outro julgamento “terminou sem qualquer condenação”.
Operação “Safra Justa”
Militares da GNR de Beja apanhados em rede de exploração de imigrantes
“O que há de novo em 2025 é a prisão de mais duma dezena de elementos das forças policiais, que atuariam com milícias patronais ou mesmo como sócios dum ‘esquema empresarial’ mafioso””, prossegue o Bloco/Beja. À questão de saber ao serviço de quem está esta mão-de-obra escrava, o partido diz que “a resposta é óbvia: basta seguir o rasto das carrinhas e dos autocarros, desde a Cabeça Gorda até às herdades onde os trabalhadores são explorados”.
O Bloco insiste na proposta que já levou ao Parlamento e foi chumbada para que os donos destas herdades “sejam responsabilizados pelo trabalho escravo e outros ilícitos que decorrem nas suas instalações e com os quais lucram, realizando tarefas agrícolas por um preço irrisório, que não daria sequer para pagar salários legais”.
Com este Governo da AD acabaram as manifestações de interesse, que eram “o único mecanismo eficaz para a regularização de imigrantes”. Assim, “não é por acaso que nesta campanha da azeitona há entidades patronais a queixar-se de falta de mão-de-obra e que mais imigrantes, impedidos de se regularizarem, são capturados por máfias que até já recrutam elementos das forças policiais”, denuncia a distrital bloquista.
Considerando que “a principal fonte de insegurança na região é o tráfico humano, do qual os imigrantes são as primeiras e principais vítimas”, o partido apela à participação dos imigrantes na greve geral de 11 de dezembro e exige também a proibição da subcontratação abusiva de tarefas agrícolas e punição dos seus responsáveis, a fiscalização efetiva das condições de trabalho e habitação pela ACT e pelas autarquias, a reposição de um mecanismo permanente de regularização de imigrantes e o fim da escravatura.