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Diretora de informação da Lusa alerta para ameaça das 'fake news'

Luísa Meireles defende que as agências de notícias “têm que tratar a informação de uma forma mais rigorosa, ainda mais canónica, para garantir os seus padrões de rigor e credibilidade". A Lusa lançou um microsite sobre fake news [notícias falsas], tema da conferência que irá promover, conjuntamente com a Efe, a 21 de fevereiro.
Foto de Jeso Carneiro, Flickr.

A diretora de informação da Lusa considera que “as agências [de notícias], em particular, estão mais vulneráveis relativamente às fake news [notícias falsas] devido à capacidade de difusão de informação".

De acordo com Luísa Meireles, no que respeita às agências de notícias, a ameaça "pode ser mais grave”, já que “a tarefa ou missão de uma agência de informação é difundir informação", que se expande "de uma maneira muito maior do que a dos outros órgãos".

Sublinhando que isso "pode ter uma influência que não se pode contar" e que as fake news são "uma grande ameaça" que tem vindo a crescer e que ninguém sabe "até onde vai", a diretora de informação da Lusa defende que “as agências têm que tratar a informação de uma forma mais rigorosa, ainda mais canónica, para garantir os seus padrões de rigor e credibilidade".

Luísa Meireles avança com exemplos internacionais que considera serem verdadeiros alertas, “mais até de um ponto de vista político”. Em causa está “a eleições nos Estados Unidos, nomeadamente as eleições presidenciais em que ganhou Donald Trump”, o referendo do Brexit ou a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil.

Para a diretora de informação da Lusa, “a partir da altura em que se coloca a questão da desconfiança em termos políticos, em termos sociais ou em termos até de mero negócio”, as nossas sociedades “estão política e democraticamente ameaçadas”, na medida em que “sem uma informação livre, verdadeira e credível não pode haver democracia".

Para combater as fake news nos media, Luísa Meireles assinala que “há dois planos: um plano é a literacia aplicada aos próprios jornalistas e ao próprio jornalismo". Tal implica "dar mais, dar instrumentos, dar meios ao jornalista, 'empoderá-los', se quisermos usar uma palavra nova, de novas técnicas ou meios, que estão à disposição de toda a gente para fazer o seu jornalismo, ter mais capacidade para verificar a informação que chega".

Por outro lado, defende que é preciso também “atuar sobre o leitor, sobre as pessoas de um modo geral", pelo que “seria inteligente ou seria importante fazer campanhas de literacia".

O papel das redes sociais

A diretora de informação da Lusa acredita que as redes sociais foram essenciais para aumentar a importância das fake news nos media.

Se anteriormente, "os meios para o fazer eram mais restritos”, atualmente “a informação ultrapassa fronteiras das mais variadas maneiras, nomeadamente através das redes sociais", destaca, apontando como exemplo o Facebook e o WhatsApp, este último adquirido pela rede social em 2014.

"Acho que a eleição do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um exemplo disso mesmo porque a propaganda e o 'marketing' político foi feito através das redes sociais, embora no caso em particular pelo WhatsApp porque é a ferramenta, digamos, das redes sociais mais utilizadas" naquele país, sinaliza Luísa Meireles.

Dois séculos de fake news

Francisco Louçã

"O mundo está em constante mudança, está em constante evolução" e as redes sociais são boas e más, por isso "acho que deve haver a maior vigilância e nós, jornalistas, estamos na primeira linha desse combate porque somos alvos e vítimas", vinca.

"Somos aqueles a quem é preciso convencer que uma notícia é falsa ou verdadeira ou é falsamente verdadeira, se me permitem o termo, e somos vítimas porque ao desconfiar das notícias, o leitor, aquele que nos lê, aquele que no fundo paga a informação deixa de confiar naquilo que é transmitido pelo jornalista", conclui a diretora de informação da Lusa.

A Lusa arrancou esta quinta-feira com um microsite sobre fake news, no âmbito da preparação da conferência "O Combate às 'Fake News' - Uma questão democrática", a realizar em 21 de fevereiro, em Lisboa. A iniciativa é promovida pelas duas agências noticiosas de Portugal e Espanha, Lusa e Efe.

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