Turquia

Dezenas de curdos sentenciados a pesadas penas de prisão por manifestações pró-Kobane

17 de maio 2024 - 14:39

Em 2014, o HDP lançou um apelo a manifestações críticas da falta de intervenção da Turquia face ao cerco da cidade síria de Kobane pelo “Estado Islâmico”. Apoiantes deste grupo atacaram-nas e causaram dezenas de mortos. Uma década depois e contra decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos são os curdos que foram sentenciados.

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Manifestantes pró-curdos numa manifestação o ano passado.
Manifestantes pró-curdos numa manifestação o ano passado. Foto de ERDEM SAHIN/EPA/Lusa.

Dezenas de ativistas políticos curdos foram sentenciados esta quinta-feira a pesadas penas de prisão na Turquia. A maior parte são antigos dirigentes do partido de esquerda HDP e estavam acusados de serem responsáveis pela morte de 37 pessoas na sequência de manifestações, em 2014, em defesa de Kobane.

A cidade curda síria que então estava cercada pelo auto-denominado “Estado Islâmico” e o HDP tinha lançado um apelo a manifestações devido à falta de vontade do governo turco de intervir na defesa do povo de Kobane.

O ex-dirigente do partido Selahattin Demirtas foi condenado a 42 anos de prisão por 47 acusações, entre as quais a de “ajudar a quebrar a unidade do Estado e a integridade do país”. A sua camarada Figen Yüksekdag, ex-co-dirigente da mesma força política, ficará presa por mais 30 anos.

Esta decisão está a ser encarada como política. Na sala de audiências, advogados dos réus e públicos manifestaram-se assim que souberam da decisão. O mesmo aconteceu no parlamento com não apenas os deputados pró-curdos mas também os sociais-democratas do CHP a reagirem ruidosamente.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu em sentido contrário

O partido DEM, Partido da Igualdade e Democracia do Povo, sucessor legal do Partido Verde no qual o HDP delegou a sua participação política dada a repressão de que tem sido alvo, reagiu considerando a decisão “injusta”.

Para eles, esta está “não apenas em direta contradição com a Constituição turca mas também com o julgamento do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos”. Assim, avaliam a sentença como “ilegal” e apelam à defesa dos direitos humanos e dos valores democráticos fundamentais.

Esta força política refere-se a uma decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que tinha decidido que o HDP “não poderia ser considerado responsável pela violência” então ocorrida.

O DEM explica que em 2014, com Kobane cercada, os protestos ocorreram a nível mundial e também em algumas cidades turcas. Naquele país, grupos apoiantes do “Estado Islâmico” atacaram as manifestações. Como resultado, 46 civis, 34 dos quais militantes e apoiantes do HDP, foram mortos. Os curdos acusam ainda as forças de segurança turcas de terem, na altura, desempenhado um papel de “provocação”.

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