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Desconto no passe cortou emissões poluentes na Alemanha

No dia em que terminam os passes a 9 euros nos transportes urbanos e regionais alemães, a associação de transportes diz que a poupança em emissões de carbono equivaleu às de 388 mil automóveis durante um ano inteiro.
Foto trainphotographyde/Flickr

A medida implementada pelo governo alemão para conter os efeitos da inflação revelou-se um sucesso não apenas do ponto de vista da mobilidade e do orçamento familiar, com 52 milhões de passes vendidos, mas também do ponto de vista ambiental, afirmou a associação de transportes públicos VDV, citada pela Reuters.

Entre junho e agosto, por apenas 9 euros mensais, os alemães puderam andar em todos os transportes urbanos e regionais do país, com exceção dos comboios de alta velocidade. E isso correspondeu a uma poupança de 1,8 milhões de toneladas em emissões de CO2, o equivalente às emissões poluentes de 388 mil automóveis durante um ano.

Apesar de afirmar que esta "foi uma das melhores ideias" do seu executivo, o chanceler alemão Olaf Sholz não a irá prolongar, apesar dos apelos nesse sentido por parte dos utentes confrontados no dia a dia com os efeitos da inflação. Quem se opõe à ideia é o ministro das Finanças e líder dos liberais, Christian Lindner, que afirma que prolongar a medida iria custar 14 mil milhões de euros por ano aos cofres públicos.

Por seu lado, os social-democratas estão a estudar uma proposta de continuar com os passes, aumentando o preço para os 49 euros. E em cidades como Berlim, estuda-se a possibilidade de manter os passes mensais a 9 euros nos transportes urbanos da cidade nos próximos três meses, quando anteriormente custavam 86 euros.

Segundo o instituto nacional de estatísticas alemão, um quinto da população passou a usar regularmente os transportes públicos pela primeira vez graças a esta medida. O transporte ferroviário em junho e julho teve mais 42% de passageiros em comparação com 2019, o ano anterior à pandemia. Também os níveis de poluição no país caíram 6 a 7%, nas contas de investigadores da Universidade de Potsdam citados pelo site Politico. No plano financeiro, a medida permitiu conter o efeito da inflação em dois pontos percentuais, calcula o Instituto de Investigação Económica de Colónia. O ministro dos transportes promete para novembro a apresentação de um estudo alargado sobre o impacto da medida.

Punks acampam na ilha do "jet-set"

Um dos efeitos da medida foi o de facilitar o acesso das pessoas a locais que até agora eram destino turístico dos mais ricos, como a ilha de Sylt, no Mar do Norte, que desde o início de agosto assiste a um acampamento punk em frente ao edifício da câmara municipal.

"É uma espécie de protesto. Estamos a tentar chamar a atenção para o problema do capitalismo. Em Sylt há uma grande disparidade entre os turistas ricos e as pessoas normais", afirmou Jörg Otto à Euronews, que também ouviu queixas de turistas e moradores sobre a súbita mudança da rotina na localidade. Apesar de quererem prolongar o protesto, a autorização para o acampamento termina esta quarta-feira e o município já avisou que terá de ser desmantelado o mais tardar até quinta-feira.

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