Israel

Deputado do Knesset suspenso devido à condenação do genocídio em Gaza

13 de novembro 2024 - 20:31

Deputado socialista foi banido do parlamento durante seis meses, podendo entrar apenas para votar. Ofer Cassif fala em limite da liberdade de expressão e chama "psicopata e fascista" a Netanyahu.

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Ofer Cassif
Ofer Cassif. Fotografia via Instagram do próprio

Ofer Cassif, um membro do Knesset do partido de esquerda árabe e judaica Hdash-Ta'al, foi banido do parlamento e dos comités durante seis meses pelo Comité de Ética do Knesset. As sanções sobre o político socialista surgem depois de queixas devido à sua posição face ao genocídio em Gaza.

Cassif ainda pode votar mas fica impedido de participar nos debates e nas reuniões das comissões e o seu salário é cortado durante duas semanas. O deputado fica assim proibído de entrar no Knesset, podendo apenas entrar em ocasião de voto. Segundo o Haaretz, a punição é considerada “muito severa” dentro do sistema político israelita.

As queixas terão surgido porque Cassif descreveu os palestinianos a resistir ao exército israelita em Jenin como “lutadores pela liberdade” nas redes sociais. O político falou com a New Arab e criticou a suspensão como “mais uma camada numa longa série de ataques” à liberdade de expressão em Israel, acusando a perseguição política contra árabes mas “não apenas contra eles”, antes contra “qualquer pessoa que seja uma voz alternativa sobre o massacre genocida a acontecer em Gaza”.

“Vou sempre lutar pela paz, por justiça, pela igualdade e pela liberdade, o que me faz denunciar o massacre que Israel comete em Gaza, da mesma forma que tenho denunciado a ocupação durante décadas”, disse Ofer Cassif. “A minha responsabilidade é estar com as vítimas em todo e qualquer lado – não importa quem são”.

O Comité de Ética do Knesset, no entanto, considerou que deve haver uma distinção entre o que considera serem as “críticas legítimas” a Israel e “o encorajamento da violência contra os soldados das Forças de Defesa Israelitas e o Estado de Israel”.

Confrontado com esta posição, Cassif voltou a reafirmar a sua posição sobre Gaza e acusou Netanyahu de ser “um psicopata, fascista e ditador”. “O que temos testemunhado nos últimos dois anos é Netanyahu e os seus bandidos a silenciar qualquer criticismo ou vozes alternativas”, afirmou, adicionando ainda que tem orgulho de ser “parceiro das boas pessoas que são perseguidas por este governo maléfico”.

Estados Unidos mantêm envio de armas para Israel

Na passada terça-feira, o governo estadunidense admitiu que não terá feito ainda uma “avaliação” sobre se o governo israelita está a violar a lei dos Estados Unidos da América, que requer que os recipientes de assistência militar por parte do país adiram à lei humanitária internacional.

Sem essa “avaliação”, os Estados Unidos continuaram a enviar armamento para Israel sem restringirem esse apoio, como tinham ameaçado fazer há um mês, se Israel não cumprisse a lei internacional. O Guardian avança que as condições humanitárias em Gaza estão no ponto mais baixo desde o início do genocídio, segundo os grupos que prestam ajuda no terreno.