Redes sociais

Justiça francesa convocou Elon Musk para depor voluntariamente

20 de abril 2026 - 16:15

Investigação começou com suspeitas de manipulação do algoritmo da rede social X para influenciar o debate público francês mas alargou-se à quebra de denúncias de conteúdos de pornografia infantil e ao aumento dos conteúdos antissemitas e negacionistas da ferramenta de IA Grok.

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Elon Musk
Elon Musk

A secção de luta contra o cibercrime do Ministério Público de Paris convocou Elon Musk para uma audição voluntária a ter lugar esta segunda-feira. Como era esperado, o bilionário não compareceu, deixando à justiça francesa a possibilidade de vir a requerer a emissão de um mandado internacional de captura. Mais de uma dezena de altos quadros da rede social X foram convocados para audições semelhantes nos próximos dias.

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Musk fez do Grok um gerador de pornografia para atrair utilizadores

02 de fevereiro 2026

O diário Le Monde afirma que investigação foi aberta no início de 2025 com base em denúncias recebidas sobre uma possível manipulação deliberada do algoritmo da rede social X para influenciar o debate público francês e uma potencial utilização ilícita de dados pessoais sensíveis dos utilizadores com o objetivo de exibir publicidade direcionada. Mas nos meses seguintes alargou o seu âmbito, incluindo as mensagens antissemitas e negacionistas da ferramenta d inteligência artificial Grok, o que configura o crime de contestação a crime contra a humanidade.

Os investigadores identificaram também uma mudança na ferramenta de deteção de conteúdos de pornografia infantil que fez baixar um 80% o número de denúncias em relação à França. As suspeitas de que se terá tratado de um ato deliberado da plataforma juntou ao inquérito os indícios de cumplicidade com a detenção e difusão desse tipo de conteúdos. Já no início deste ano, o escândalo com a criação por parte do Grok de milhares de imagens sexualizadas de mulheres e crianças a partir de fotografias reais levou os investigadores a juntar os crimes de atentado à representação da pessoa. Somando todos os elementos de infrações cometidas pela plataforma X, o âmbito do inquérito passou a ser de “administração de plataforma ilícita”.

Tanto o X como a justiça dos EUA se recusaram a enviar os elementos solicitados pelas autoridades francesas, alegando tratar-se de um inquérito com “motivações políticas”. Mesmo a identificação de utilizadores que difundiam conteúdos antissemitas e negacionistas, que antes era facultada a pedido da justiça francesa, deixou de ser entregue.

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O X de Elon Musk tem de ser proibido

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O Le Monde diz que a chamada de Musk a uma audição é uma tentativa de o obrigar a um compromisso, tal como aconteceu há meses com o russo-francês Pavel Durov, o dono do Telegram, que chegou a ser detido após recusar as convocatórias para audições, e passou então a mostrar uma atitude mais colaborativa. A manipulação do algoritmo por parte de Musk configura o crime de “falsificação do funcionamento” de um sistema informático, previsto desde 1988 no Código Penal francês mas até hoje nunca utilizado pelos procuradores.

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