O debate orçamental chegou ao fim com o resultado anunciado. O Orçamento do Estado para 2026 do Governo PSD/CDS é aprovado com a abstenção do PS, depois deste partido e o Chega terem à vez chumbado propostas de alteração para um aumento das pensões mais baixas e do subsídio de alimentação ou da redução dos impostos indiretos como o IVA.
Na sua intervenção de encerramento do debate, Mariana Mortágua afirmou que apesar do anúncio da abstenção do PS, a história do Orçamento não estava escrita à partida, pois havia uma hipótese, “por pequena que fosse, que os partidos aqui representados se encontrassem pressionados pela vergonha de cortarem duplamente os impostos aos bancos enquanto o povo luta para pagar a prestação da casa e é esmifrado em taxas e comissões”. Mas não foi isso que aconteceu.
“O Orçamento do governo em minoria deslizou pela especialidade pelas mãos de uma maioria silenciosa que coordenou todos os seus esforços para garantir que tudo ficava na mesma”, prosseguiu a coordenadora do Bloco, concluindo que “tudo não passou de um jogo de espelhos” em que “o PS que é contra a baixa do IRC, enquanto viabiliza o orçamento que baixa o IRC”, “o Chega denuncia a carga fiscal excessiva, enquanto inviabiliza as propostas que baixam a carga fiscal” e o PSD tenta esvaziar o debate orçamental “enquanto passa o tempo a falar de imigração, que nada tem a ver com Orçamento”.
Orçamento
Para chumbar aumento das pensões mais baixas, “o PSD não tem uma muleta, tem duas”
Para Mariana Mortágua, “a história deste Orçamento é a história de três partidos a gerirem os tempos do poder. E isso é o que acontece quando o debate mais importante sobre o futuro do país se faz sob o signo e a ameaça da crise política”.
Pelo lado do Bloco, que “votou favoravelmente todas as propostas que respeitam e melhoram a vida das pessoas”, o sentido de voto contra o Orçamento justifica-se porque “o conteúdo é mau para Portugal e o processo é uma farsa”, concluiu.