Aumento das pensões, aumento do subsídio de refeição, dedução no IRS dos juros do crédito à habitação. São três propostas que o Bloco e outros partidos levaram à votação no debate do Orçamento do Estado que decorre desde quinta-feira, mas que acabaram todas chumbadas graças aos votos cruzados do PS e do Chega.
Para a deputada bloquista Mariana Mortágua, neste “bailado a três” o PSD “não tem uma muleta, tem duas: uma de cada lado para garantir que o resultado do Orçamento é exactamente aquilo que quer.”
Orçamento
“O Chega organiza a política do sistema, o PSD passa-a a escrito, o PS assina por baixo”
“No centro do palco, o pivot era o PSD, a votar contra todas as propostas da oposição. Depois entra em cena um duo sincronizado, com movimentos bem ensaiados, que é do Chega e do PS (...), dançando à volta do PSD, ora abstendo-se, ora votando a favor, para que, no fim, nenhuma proposta consiga passar”, apontou Mariana, citada pelo Público.
A deputada bloquista deu o exemplo das propostas sobre aumento de pensões, em que “PS e Chega fizeram com que nenhum aumento fosse aprovado – nem o do Bloco, que pede que seja aplicada a lei mas num mínimo de aumento de 50 euros”, acabando por ser aprovada apenas a proposta do Governo de um bónus extraordinário e chumbadas as propostas de aumento permanente no valor das pensões mais baixas.
E no final deste “bailado a três”, concluiu Mariana, “o resultado é que quem tem crédito à habitação não pode reduzir juros, as pensões mais baixas não terão aumento permanente, o subsídio de refeição terá um aumento de 10 cêntimos, mas os bancos vão ter duas reduções de imposto e ainda levam 400 milhões de euros de bónus. O que se passou ontem? Foi mesmo um bailado e agradeçam ao Chega e ao PS que o Orçamento do Estado seja apenas o que o Governo quer”, apontou a deputada do Bloco.