O debate orçamental na generalidade chegou ao fim com o resultado esperado: o documento foi viabilizado com a abstenção do PS. Na sua intervenção no encerramento do debate, Mariana Mortágua acusou os três maiores partidos de partilharem a sua autoria: “Há um partido, o PSD, que governa sem definir os termos do debate. Há outro partido, o Chega, que define os termos do debate sem governar. E ainda outro partido, o PS, que, sem governar e sem definir os termos do debate, assina o cheque”.
“O Chega organiza a política do sistema, o PSD passa-a a escrito, o PS assina por baixo”, prosseguiu Mariana Mortágua, concluindo que isso “não é boa governação, é simplesmente uma farsa”.
A deputada do Bloco voltou a enunciar as críticas que fez durante o debate às escolhas do Orçamento que “continua a carregar no IVA dos consumidores enquanto baixa o imposto sobre os lucros da EDP”, “esconde mais de mil milhões para gastos militares”, “oferece aos bancos o fim da taxa de solidariedade e ainda lhes vai devolver o que tinha sido justamente cobrado”.
As críticas ao Governo do PSD/CDS estenderam-se também ao Chega, que “enquanto caminha de braço dado com o governo, agarra-se ao que pode para se opor ao documento”, cabendo-lhe o papel de “concordância silenciosa”, e ao PS, que “congratula-se com o facto de o orçamento esconder a política que o Primeiro-Ministro assumiu. E, pelo meio, viabiliza o principal instrumento de governação”, sabendo os socialistas que no dia seguinte “o Governo usará esse apoio para atacar a larga maioria que trabalha”.
"Contra os jogos e as farsas, neste orçamento como em todos os debates que se lhe vão seguir, cá estaremos para dizer o que importa: este povo merece ter casa e um salário que a pague”, concluiu Mariana Mortágua.