O anunciado investimento em Defesa pelo governo português vai passar pela linha de financiamento europeia do programa SAFE, que destinou ao país 5,8 mil milhões de euros. O jornal digital Eco fez as contas aos vários cenários de execução e reembolso do empréstimo e concluiu que os contribuintes podem ser chamados a pagar mais do dobro daquele valor por causa dos juros cobrados.
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A fatura final da aquisição de armas e outros equipamentos militares pode assim chegar aos 12 mil milhões de euros. No cenário mais provável, adianta o jornal, é o desembolso antecipado de 1,74 mil milhões em 2026 e 2,03 mil milhões em 2027, representando 65% da verba paga nestes dois anos com assinatura imediata dos grandes contratos como o das fragatas e dos veículos Pandur. Os restantes 35% seriam desembolsados entre 2028 e 2030.
Neste modelo, os juros a pagar seriam 6,32 mil milhões de euros, ou seja, 109% do capital investido. 32% do montante dos juros seriam pagos nos primeiros 10 anos, período em que vigora a carência de capital, e o remanescente nos 35 anos seguintes, com o custo total do empréstimo para os contribuintes portugueses a saldar-se em 12,12 mil milhões de euros.
A fatura dos juros das aquisições militares irá rondar assim os 25% do total de juros da dívida pública previstos para este ano ao longo dos primeiros dez anos do contrato de financiamento.