“Crise de financiamento incapacitante" leva ONU a cortar ajuda alimentar

30 de julho 2023 - 13:38

Diretor executivo adjunto do Programa Alimentar Mundial informou que, pelo menos, 38 dos 86 países, incluindo Afeganistão, Síria, Iémen e África Ocidental, já sofreram cortes ou sofrerão em breve. Milhões de pessoas já foram afetadas.

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Foto Oxfam/Flickr.

“A maior crise alimentar e nutricional da história persiste”, alertou Carl Skau.

O diretor executivo adjunto do Programa Alimentar Mundial (PAM) explicou que a ONU foi forçada a cortar alimentos, pagamentos em dinheiro e assistência a milhões de pessoas devido a "uma crise de financiamento incapacitante".

Em conferência de imprensa, Carl Skau especificou que, pelo menos, 38 dos 86 países, incluindo Afeganistão, Síria, Iémen e África Ocidental, onde o PAM opera já sofreram cortes ou sofrerão em breve. Isto num momento em que a fome aguda atinge níveis recorde.

O responsável do PAM realçou que este programa tem uma necessidade operacional de 18,2 mil milhões de euros, mas o objetivo é obter entre nove e 12,7 mil milhões de euros, o que correponde à verba angariada nos últimos anos pela agência.

Skau referiu que as necessidades humanitárias dispararam em 2021 e 2022 face à pandemia da covid-19 e à guerra na Ucrânia: "Essas necessidades continuam a crescer, esses fatores continuam a existir, mas o financiamento está a diminuir. Por isso, esperamos que 2024 seja ainda mais terrível", vincou.

Os conflitos e a insegurança continuam a ser identificados como sendo os principais fatores de fome aguda em todo o mundo, aos quais se somam as alterações climáticas, as catástrofes constantes, a inflação persistente dos preços dos alimentos e o aumento da dívida.

Skau deixou um apelo aos líderes mundiais para que deem prioridade ao financiamento humanitário e invistam em soluções a longo prazo para os conflitos, a pobreza, o desenvolvimento e outras causas profundas da atual crise.

No Afeganistão, o PAM viu-se obrigado a reduzir em março as rações de 75% para 50% para as comunidades do Afeganistão que enfrentavam níveis de fome de emergência. Em maio, teve de restringir a ajuda alimentar a 66% daqueles que estava a ajudar. Atualmente, apoia apenas cinco milhões de pessoas.

Na Síria, 5,5 milhões de pessoas já recebem rações de 50%. Em julho, o PAM cortou por completo as rações a 2,5 milhões pessoas. Nos territórios palestinianos, a assistência em dinheiro foi reduzida em 20% em maio. No mês seguinte, o número de pessoas assistida sofreu uma queda de 60%. No Iémen, o PAM vai cortar a ajuda a sete milhões de pessoas em agosto. Já na África Ocidental, a maior parte dos países confronta-se com grandes cortes nas rações, em especial as sete maiores operações de crise do PAM: Burkina Faso, Mali, Chade, República Centro-Africana, Nigéria, Níger e Camarões.