Mariana Mortágua esteve esta quinta-feira na Residência Universitária do Pólo da Ajuda, da Universidade de Lisboa, para falar sobre “a solução que é necessária para os milhares de alunos deslocados que não conseguem suportar hoje os preços dos quartos e da habitação, e também para chamar a atenção para os atrasos do Governo na construção de novas residências”.
A coordenadora do Bloco lembrou que o executivo do PS “prometeu duplicar o número de residências no país”, o equivalente a mais 15 mil residências até 2026. “O que sabemos é que, entretanto, não existem sequer 300 vagas que foram garantidas e construídas e todas as outras residências estão atrasadas. Neste momento, o Governo já atira o prazo para 2030”, apontou Mariana Mortágua.
De acordo com a dirigente bloquista, “isto coloca-nos um problema”, na medida em que “as residências a serem construídas já são para outra geração, não são para os alunos que estão hoje no ensino superior nem para aqueles que procuram vir para o ensino superior nos próximos anos. E é a esses que o Governo tem de dar resposta”.
Mariana Mortágua considera que o Governo “não pode sistematicamente fazer promessas sobre residências e habitação, não cumprir essas promessas e, enquanto as promessas vão e vêm, as pessoas ficam sem casa, o preço do quarto duplicou nos últimos anos e a oferta dos quartos reduziu-se”. E, conforme sublinhou, isto acontece porque, muitas vezes, esses quartos são afetos a alojamento local, aos nómadas digitais, a turistas, ou os prédios foram vendidos a não residentes.
“Toda a crise da habitação tem reflexo nos estudantes, o que é dramático, porque impede o acesso ao ensino superior”, alertou.
"Oferta turística tem de ser mobilizada para dar resposta a quem precisa"
Neste contexto, o Bloco apresentou um projeto de lei para um plano de emergência, que visa garantir uma solução para agora. “O Governo tem de tomar ação para este ano letivo”, enfatizou a coordenadora bloquista, detalhando que, para o efeito, é preciso “identificar todos os edifícios públicos disponíveis que podem ser adaptados imediatamente para residências, ainda que temporárias, enquanto as residências não são construídas”.
Por outro lado, “foram anunciados protocolos entre o Governo e instituições turísticas como a Movijovem, para poder agilizar quartos para estudantes. Mas esses protocolos não foram ativados. A oferta turística tem de ser mobilizada para dar resposta a quem precisa. Se esses protocolos não forem suficientes, o Governo deve requisitar instalações que possam ser adequadas a servir de residências e que possam ser remuneradas de acordo com os preços já protocolados e já estabelecidos”, continuou Mariana Mortágua.
A dirigente do Bloco enfatizou que “ou nós encaramos a habitação como uma emergência, uma catástrofe, uma pandemia que se alastra pelo país e damos respostas à altura da catástrofe, ou então limitamo-nos a chorar” e as pessoas desistem do ensino superior e emigram.
Débora Duarte, da comissão de residentes, deu conta de vários constrangimentos na Residência Universitária do Pólo da Ajuda, seja ao nível da lavandaria, da cantina, ou no que respeita à ausência de transportes públicos adequados. A estudante referiu, por sua vez, que seria “muito problemático estudar se não tivesse a oportunidade de residir nesta residência”.
Pedro Simão, administrador dos serviços de Ação Social da Universidade de Lisboa, assumiu que existe uma grande procura por residências desta universidade, com atualmente 500 pessoas em lista de espera. A residência do Polo da Ajuda conta com 182 camas. Um novo equipamento com 140 camas deverá estar pronto, de acordo com as previsões, em julho de 2024.