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Corinna Larsen justifica com "gratidão e amor" transferência milionária de Juan Carlos I

No depoimento à justiça suíça, a empresária alemã com quem o rei emérito de Espanha manteve uma relação extraconjugal afirmou que os 65 milhões oferecidos em 2012 foram “por gratidão e amor” e “não para se desfazer deles”. Juan Carlos I está a ser investigado por suspeitas de branqueamento de capitais e crime fiscal.
Juan Carlos de Borbón e a esposta, Sofia Federica. Foto RTVA | Flickr

Segundo El Diário, que cita o texto de declaração da Corinna Larsen ao juiz suíço Yves Bertossa - que lidera uma investigação por causa do dinheiro que Juan Carlos I tinha na Suíça -, a alemã Corinna Larsen, com quem Juan Carlos I manteve uma relação extraconjugal, declarou à justiça suíça que o rei emérito lhe ofereceu 64,8 milhões de euros em 2012 “por gratidão e amor” e “não para se desfazer do dinheiro”. A empresária referiu que o rei emérito “estava consciente que eu tinha feito muito por ele. Acredito também que se sentia culpado pelo que me aconteceu em Mónaco. Em 2012 fui sequestrada pelos serviços secretos espanhóis.”

Para além de Corinna Larsen, também está a ser investigado Arturo Fassana e Dante Canónica, dois alegados testas de ferro do rei emérito. Dante Canónica era o responsável da Fundação Lucum, onde o principal beneficiário era Juan Carlos I.

O juiz Bertossa acredita que os 65 milhões transferidos desde uma conta da Fundação Lucum para uma da Corinna Larsen procedem dos 100 milhões que Juan Carlos I recebeu como comissão devido à sua intervenção na adjudicação a empresas espanholas de uma das fases da construção de uma linha ferroviária de alta velocidade na  Arábia Saudita em 2008, de acordo com o diário suíço Tribuna de Genebra. O antigo monarca espanhol arrisca-se a ser condenado por branqueamento de capitais e crimes fiscais.

A Tribuna de Genebra afirma que o rei emérito esteve, durante alguns anos, a retirar dinheiro da conta suíça até 2012, que foi quando a Suíça aprovou leis contra o branqueamento de capitais. Depois, supostamente repartiu o dinheiro entre duas mulheres com quem teve relacionamentos extraconjugais, Corinna Larsen e Marta Gayá. Os tribunais suíços acreditam que isto representou uma manobra para ocultar este dinheiro. 

Corinna Larsen não confirmou à Procuradoria suíça a origem do dinheiro: “Explicaram-me que vinha de uma doação do rei Abadalá ao Juan Carlos I. Não me explicaram o motivo dessa doação, mas trata-se de uma prática normal entre reis, nomeadamente no Médio Oriente”. O juiz Bertossa também está a investigar a compra de uma casa e dois apartamentos em Villars-sur-Ollo, na Suíça, feitas pela Corinna Larsen, tal como transferências realizadas por Juan Carlos I para contas da empresária alemã. Larsen afirma que estas operações eram “empréstimos”.

 
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