Cordão humano pela Palestina no sábado em Lisboa

11 de dezembro 2023 - 19:45

Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina apela a que juntemos as mãos em defesa dos direitos humanos, com um percurso de solidariedade e esperança desde o Hospital de Santa Maria, passando pelas embaixadas dos Estados Unidos e de Israel, até à Maternidade Alfredo da Costa.

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O apelo à participação na iniciativa, refere a “contagem implacável do número de vítimas palestinianas”, bem como as mortes de profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores humanitários das Nações Unidas (ONU) a que nos fomos habituando de há nove semanas para cá. E aponta o lastro de destruição que “está por todo o lado” na Faixa de Gaza.

“Enfrentamos uma crise sem precedentes na história da ocupação israelita da Palestina; uma nova catástrofe que encontra a sua imagem emblemática na maré humana de pessoas palestinianas humilhadas e forçadas a sair das suas terras a pé, sem sequer terem para onde ir. Um milhão e novecentas mil pessoas expulsas das suas casas, sem uma mão amiga que possa transmitir segurança, compaixão e solidariedade humana”, lê-se no documento.

A Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina acredita que “parar o genocídio do povo palestiniano é ainda possível: as nossas vozes e as nossas mãos, juntas, ainda podem ser uma ferramenta de esperança na construção de um futuro de justiça e paz”.

Nesse sentido, e invocando a memória da manifestação de solidariedade com o povo de Timor-Leste, na sua luta pelo fim da ocupação indonésia, o conjunto de coletivos convida “todas as pessoas que assistem com angústia às cenas de morte e destruição na Faixa de Gaza, a contribuir para a construção de um cordão humano de solidariedade, que visa denunciar a catástrofe em curso na Palestina”.

No dia 16 de dezembro, próximo sábado, a partir das 14h30, voltará a exigir-se um cessar-fogo imediato e permanente, o fim ao cerco e a entrada de ajuda humanitária sem restrições na Faixa de Gaza. Assim como o fim da agressão nas cidades, aldeias e campos de refugiados em toda a Palestina.

O cordão humano contará com “um percurso de solidariedade e esperança”, desde o Hospital de Santa Maria, passando pela Embaixada dos Estados Unidos e pela Embaixada de Israel, até à Maternidade Alfredo da Costa.

Mais de 17.975 pessoas foram mortas e cerca de 51.300 ficaram feridas

O Ministério da Saúde anunciou que mais de 17.975 palestinianos foram mortos e cerca de 51.300 ficaram feridos desde 7 de outubro. A maioria das vítimas são crianças, mulheres e idosos, acrescentou o ministério num relatório.

Na Faixa de Gaza, pelo menos 17.700 pessoas foram mortas e mais de 48 mil ficaram feridas, 70 por cento das quais eram crianças e mulheres. Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém ocupada, o número de pessoas mortas é de 275. Registaram-se ainda 3.300 feridos. Milhares de pessoas ainda estão desaparecidas em Gaza.

Entretanto, os violentos bombardeamentos aéreos, terrestres e marítimos israelitas continuam em toda a Faixa de Gaza, com contínuas agressões terrestres nas partes orientais da Cidade de Gaza, Jabalia, no campo de refugiados de Nuseirat e nas áreas orientais da província de Khan Yunis. O Hospital Europeu de Gaza, no sul da Faixa de Gaza, sofre com uma grave escassez de medicamentos, produtos sanguíneos e mantimentos médicos, com racionamento estrito de combustível. As forças de ocupação também continuaram a sitiar o Hospital Al-Awda, em Jabalia, pelo terceiro dia consecutivo. Nos abrigos da UNRWA no sul, surgem cada vez mais doenças infecciosas, incluindo diarreia e infeções respiratórias e cutâneas agudas.

A Sociedade do Crescente Vermelho disse que, na madrugada desta segunda-feira, aviões de guerra da ocupação lançaram ataques violentos nas proximidades do Hospital al-Amal, em Khan Younis. Fontes médicas informaram que os corpos de mais de 40 pessoas foram levados para o Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, além de 32 corpos levados para o Complexo Médico Nasser, no sul de Gaza. Um ataque israelita numa casa no campo de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, matou cinco pessoas, incluindo três crianças. Em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, morreu ainda uma mulher e uma criança, e numa praça residencial no Bairro Sheikh Radwan, no norte de Gaza, dezenas de corpos foram recuperados, enquanto dezenas de outros ainda estão sob os escombros. A Al Jazeera afirma que, no campo de refugiados de Maghazi, foram mortas, pelo menos, 23 pessoas.

Marie-Aure Perreaut, coordenadora de emergência dos Médicos Sem Fronteiras, afirmou que “o sistema de saúde está completamente em colapso neste momento”.

Detidos, “despidos e espancados”

A Comissão de Assuntos de Detidos e Ex-Detidos e a Sociedade de Prisioneiros Palestinos (PPS) disseram que desde 142 mulheres, incluindo bebés lactantes e idosos, que foram detidos desde 7 de outubro, estão atualmente encarceradas em prisões israelitas. Os coletivos salientaram que os testemunhos chocantes e horríveis de cidadãos de Gaza recentemente detidos pelas forças israelitas aumentam os níveis de medo pelo seu destino, e que não se exclui a possibilidade de a ocupação levar a cabo execuções no terreno contra detidos de Gaza.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), durante o fim de semana, as forças israelitas “detiveram centenas de homens e meninos que estavam em espaços públicos, escolas que servem como abrigos para pessoas deslocadas internamente, bem como em casas particulares” do norte do enclave. “Alegadamente, os detidos foram despojados, apenas de roupa interior, algemados e obrigados a sentar-se de joelhos em áreas abertas, sujeitos a espancamentos, assédio, mau tempo e negação de necessidades básicas”, denuncia a OCHA.

Cisjordânia palco de violência

Na Cisjordânia, as forças de ocupação israelitas detiveram 28 palestinianos, incluindo duas mulheres, em ataques às suas casas. Por outro lado, colonos israelitas atacaram agricultores e palestinianos na cidade de Aqraba, ao sul da cidade de Nablus, no norte da Cisjordânia.

Em Ramallah foi promovida uma marcha pelo fim da agressão israelita, coincidindo com o apelo a uma greve global em solidariedade com o povo da Faixa de Gaza. A iniciativa, convocada pelas forças nacionais e islâmicas, sindicatos, organizações da sociedade civil e comités populares, percorreu as ruas da cidade, entoando slogans denunciando os crimes da ocupação e os seus massacres, e apelando à unidade nacional para enfrentar os crimes da ocupação.

EUA vetaram resolução pelo cessar fogo

Os EUA vetaram uma resolução apresentada pelos Emirados Árabes Unidos e apoiada por mais de 90 Estados-Membros. O documento, que contou com 13 votos a favor e a abstenção do Reino Unido, exigia um cessar-fogo humanitário imediato e a libertação imediata e incondicional dos reféns, bem como o acesso humanitário.

António Guterres lamentou este resultado e prometeu não baixar os braços.

“O fórum proeminente para a resolução pacífica de disputas internacionais está paralisado por divisões geoestratégicas”, frisou o secretário-geral da ONU. “Instei o Conselho de Segurança a pressionar para evitar uma catástrofe humanitária e reiterei o meu apelo para que fosse declarado um cessar-fogo humanitário”, explicou Guterres.

“Lamentavelmente, o Conselho de Segurança não conseguiu fazê-lo, mas isso não o torna menos necessário. Portanto, posso prometer que não vou desistir”, garantiu.