Depois de décadas de serviço aos Trabalhistas enquanto deputado, tornou-se líder do partido. Um período marcado por anos de ataques dos principais meios de comunicação social do seu país e de sabotagem ao mais alto nível do partido que dirigia, mas também de uma mobilização das base e de adesão da juventude e de um programa à esquerda como não se via por aquelas bandas há muito.
Perdidas as anteriores eleições legislativas, veio a purga de muitos dos seus companheiros e acabou expulso do partido de sempre que não o queria como candidato a deputado. Esta quinta-feira, foi eleito como deputado independente.
Jeremy Corbyn é deputado desde 1983, sempre no mesmo círculo, Islington North, que elege consecutivamente deputados do Labour desde 1937. E foi este círculo que o preferiu ao candidato designado pelo seu anterior partido, Praful Nargund, que vinha sendo apresentado como favorito nas sondagens. A vitória de Corbyn acabou por ser clara com 24.120 dos votos (49,2%) contra 16.873 (34,4%), num círculo que teve uma afluência às urnas de 67.5%.
Uma das tarefas da campanha foi mesmo explicar que para votar nele, o deputado que sempre tinha vindo nos boletins de voto como candidato trabalhista, agora era preciso votar diferente. Apesar de ter sido amplamente noticiado ao nível nacional, havia quem continuasse alheio às disputas internas do Labour, não sabendo que ele era agora independente. O porta à porta até aos momentos finais encontrava, contaram alguns dos voluntários que por si fizeram campanha, muitos que desconheciam o sucedido.
Be part of history in Islington North. Vote Independent. pic.twitter.com/PfSRBvOP1z
— Jeremy Corbyn (@jeremycorbyn) July 3, 2024
No discurso de vitória, Corbyn salientou a “campanha positiva” que fez, sublinhando que cabe ao sistema político encontrar soluções para os problemas sociais e que diabolizar migrantes não é resposta a estes.
Tonight, we made history.
This is just the beginning. pic.twitter.com/tY1MdOAsjY— Jeremy Corbyn (@jeremycorbyn) July 5, 2024
Sobre o novo governo trabalhista mostrou-se prudente: “vamos ver o que acontecer”, classificando como “fraco para dizer o mínimo” o manifesto eleitoral apresentado pelo partido. Enquanto “as exigências são enormes”, o documento chave para o próximo governo “não oferece uma alternativa económica séria” e é “uma espécie de camisa de forças”. Pelo contrário, é preciso “aumentar os gastos com as necessidades sociais desesperantes”. Concluindo que a sua eleição foi “um voto para mostrar que as pessoas querem uma voz verdadeira e independente no parlamento para defender a justiça social.”