Um grupo de reflexão formado por economistas de vários países formou a Comissão Independente para a Reforma da Tributação Corporativa Internacional. No relatório publicado esta quinta-feira, exigem que os mais ricos paguem a sua parte da crise climática.
"As multinacionais e os mais ricos da sociedade não estão a pagar a sua parte justa", acusam em comunicado noticiado pela agência Lusa. Segundo o grupo, que integra entre os seus membros a chilena Magdalena Sepúlveda, ex-relatora especial da ONU para a Pobreza Extrema, "o mapa mundial da poluição por carbono confunde-se perfeitamente com o das desigualdades económicas, dentro e entre países".
O grupo salienta que os 10% mais ricos da população mundial emitem cerca de 48% das emissões poluentes globais, enquanto 1% dos mais ricos produz 17% do total das emissões. A metade mais pobre da população mundial produz 12% das emissões globais, substantivamente menos que o 1% mais rico.
A Comissão lembra que África é o continente que mais sofre com os efeitos das alterações climáticas apesar de produzir 4% das emissões mundiais de gases poluentes.
Apesar dos compromissos assumidos até hoje pela comunidade internacional, segundo a ONU, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia da covid-19. Ao atual ritmo de emissões as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7ºC.
Falta de consenso pode adiar o fim da cimeira
Na manhã de hoje deverá haver uma reunião entre o presidente da cimeira e os representantes dos países, para se chegar a um texto final, mas o próprio presidente, Alok Sharma, tem afirmado que ainda há muito para resolver.
Durante duas semanas, líderes políticos e milhares de especialistas estiveram em Glasgow, Reino Unido, na 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030.
Alok Sharma reconheceu na quinta-feira, em conferência de imprensa, que ainda não havia acordo sobre “questões mais críticas” para se chegar a um texto consensual.
"Ainda há muito trabalho para fazer e a COP 26 está programada para encerrar no final do dia de amanhã [sexta-feira]. O tempo está a esgotar-se”, avisou na altura, salientando que se estava longe de finalizar questões muito críticas.