COP26: "Os países chegaram aqui sem o trabalho de casa feito

10 de novembro 2021 - 17:58

Em Glasgow, o deputado bloquista Nelson Peralta afirmou que não foram feitas as transformações na economia que permitissem aos países aproximarem-se dos objetivos já de si modestos do Acordo de Paris. E sublinhou que "a ambição está apenas nas ruas" e não nos corredores da COP26, dominados pela forte presença do lóbi da indústria poluente.

PARTILHAR
Nelson Peralta na COP26, em Glasgow. Foto Esquerda.net

Na cimeira das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP26), o deputado Nelson Peralta, em declarações à imprensa esta quarta-feira, considerou que "os países chegaram aqui sem o trabalho de casa feito. É por isso que percebemos que o Acordo de Paris está muito longe de ser cumprido. Não se fez a mitigação. O compromisso para a redução de emissões está muito longe de Paris. E muito menos se fizeram as transformações na economia que eram necessárias".

No campo da adaptação e da solidariedade internacional "a COP26 também marca passo", avaliou o parlamentar. "Os mecanismos de financiamento não podem ser maioritariamente dirigidos à mitigação nos países do Norte global, é urgente a adaptação, em especial no Sul global onde estão a ocorrer os impactos mais gravosos. A atual situação agrava as desigualdades no globo, afeta as populações mais empobrecidas e é já certo que nem sequer vai ser cumprido o Acordo de Paris também nesta matéria".

O governo português não sai ileso de críticas. Desde logo, "não cumpre a verba de financiamento do fundo verde das Nações Unidas com que se comprometeu. E dá os piores sinais também a nível nacional: não está a adaptar o território. Portugal é dos países na Europa que terá os efeitos mais fortes, agravando o risco de incêndio e com várias áreas inundáveis. Ainda assim é mantida a aposta no eucalipto e não há respostas de proteção das populações em risco com a subida do nível médio do mar".

Uma matéria que está a ser negociada nesta COP é o artigo 6, a criação de um mercado global de emissões semelhante ao que já existe na União
Europeia. O Bloco estranha esta prioridade quando "neste momento, a Comissão Europeia tem o seu mercado de emissões sob investigação por suspeitas de especulação. E este mercado deu 50 mil milhões de euros às principais empresas poluidoras da UE numa década. Em Portugal foram mil milhões, principalmente para a Compor, a Petrogal e a Secil. Não precisamos de um instrumento financeiro que dá milhares de milhões aos poluidores. Precisamos dessas verbas para investimento público nos transportes públicos, em energias renováveis, na habitação e, claro, na adaptação", referiu Nelson Peralta.

Por fim, o deputado do Bloco de Esquerda reagiu às críticas do ministro do Ambiente a Greta Thunberg. "Certamente é missão cimeira das Nações Unidas construir as soluções. O problema é que tem falhado e a ambição tem estado apenas nas ruas. Aqui dentro há uma grande dimensão da indústria fóssil e dos interesses da economia para que as estruturas se mantenham inalteradas. Mas foi a rua, e em particular os jovens que se manifestaram por todo o globo, que contribuíram para a consciencialização coletiva para o problema e que colocam exigência e urgência na sua solução”, concluiu.