O partido Conservador britânico perdeu muitos eleitos locais e um lugar no parlamento nas eleições desta quinta-feira.
Havia apenas um lugar no parlamento a ir a votos nestas eleições, na circunscrição de Blackpool South, no noroeste de Inglaterra, e a vitória aí foi para os Trabalhistas. Apesar de ser um círculo eleitoral tradicionalmente afeto a este partido, nas últimas eleições, em 2019, o candidato apoiado pelo então líder dos “Tories”, Boris Johnson, tinha saído vencedor. Scott Benton acabou por se demitir em março, na sequência de um escândalo com lóbis. E agora foi Chris Webb, dos Trabalhistas, a conquistar o assento parlamentar com uma vantagem expressiva de 26,3 pontos percentuais.
Trata-se da 11ª derrota conservadora em eleições intercalares desde 2019, a sétima desde que Rishi Sunak é primeiro-ministro. E o panorama piora ainda mais se tivermos em conta que o partido Reform UK, de extrema-direita, conseguiu 17% dos votos neste círculo, dividindo o eleitorado conservador e ameaçando até o seu segundo lugar.
Keir Starmer, o líder trabalhista, reagiu dizendo tratar-se de uma “vitória sísmica” que foi “um voto esmagador pela mudança”. Numa declaração oficial do partido, os conservadores preferiram culpar o anterior detentor do lugar, escrevendo que a eleição “iria sempre ser difícil dadas as circunstâncias específicas relacionadas com o anterior titular do cargo”.
Ao nível local, nas eleições em mais de uma centena de cidades e vilas de Inglaterra e Gales, a mesma tendência se verifica. O resultado para a Câmara de Londres só deverá ser conhecido no sábado mas é esperada uma vitória fácil de Sadiq Khan que assim poderá cumprir um terceiro mandato.
Noutros lados, o Labour canta já vitória por ficar em primeiro lugar em alguns concelhos em que não ganhava há décadas e retomar outros que tinha perdido na altura do Brexit. Isto apesar dos resultados estarem longe de terem sido todos apurados.
Até ao momento, os Conservadores perderam já mais de 120 lugares. E espera-se que percam quase 500 dos 985 que detinham.
Do lado conservador, ainda se espera que algumas vitórias em círculos em que os seus autarcas são mais populares, como em Tees Valley e West Midlands, mitiguem a imagem de uma derrota pesada.
Do lado trabalhista, o desafio é conseguir segurar parte do voto muçulmano dada a posição pró-sionista da sua atual direção. Em círculos com uma população muçulmana significativa, os resultados do partido ressentem-se claramente desta escolha. É o caso de Oldham, no noroeste da Inglaterra, onde alguns eleitos trabalhistas se tinham demitido por causa da posição do Labour sobre Gaza. Vários dos lugares foram perdidos para independentes, levando o partido a perder a maioria. Noutras eleições no noroeste de Inglaterra, como em Bristol Central e Sheffield Hallam, o mesmo tipo de fenómeno se verifica.
Aliás, as estimativas provisórias da BBC apontam para uma perda de 16% dos votos para o Labour nas zonas com importante população muçulmana e um aumento de 19% dos Verdes.
Os conservadores, esses, estão a braços com a impopularidade do Governo e com o crescimento da extrema-direita. Ao mesmo órgão de comunicação social, John Curtice, professor de Política da Universidade de Strathclyde, especialista em resultados eleitorais, afirma que os resultados dos Tories são “uns dos piores senão os piores dos últimos 40 anos” e que “não estão longe” de serem catastróficos. Para além disso, esta quinta-feira, nota, aconteceu a quinta deslocação de votos de mais de 20% nas eleições intercalares para o parlamento, o que coloca em causa o lugar do primeiro-ministro ainda antes das próximas legislativas.