Conferência pela Paz pede à ETA o fim definitivo da luta armada

17 de outubro 2011 - 17:46

A Conferência Internacional pela Paz contou com intervenções de Kofi Annan e Gerry Adams e a participação de todos os partidos à excepção do PP. No fim, pediu aos governos espanhol e francês que dêem início ao diálogo pela paz assim que a ETA abandone a luta armada.

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Bertie Ahern leu a declaração da Conferência no final da reunião. Foto leppre/Flickr

No fim da reunião, o ex-primeiro ministro irlandês Bertie Ahern leu a declaração final, que no primeiro ponto apela à ETA que "faça uma declaração pública do fim definitivo da actividade armada e solicitar o diálogo com os governos de Espanha e França para tratar exclusivamente as consequência do conflito".



Esta Conferência faz parte de um processo que nos últimos anos tem mobilizado a sociedade basca e que no mês passado levou a estrutura que enquadra os presos da ETA, ou seja, a esmagadora maioria dos seus membros, a comprometerem-se com o Acordo de Gernika, onde é expressa a renúncia à violência para dar início a um novo processo político.



A Conferência apela ainda aos governos de Espanha e França a dar as boas vindas ao eventual anúncio do abandono da violência da ETA "e a aceitar o início de conversações para tratar exclusivamente as consequências do conflito".



Para além de Bertie Ahern, a Conferência juntou em San Sebastian personalidades como o antigo secretário-geral da ONU e Nobel de Paz, Kofi Annan, a ex-ministra norueguesa Gro Harlem Bruntland, que faz parte do grupo pela paz fundado por Nelson Mandela, The Elders. Jonathan Powell, antigo chefe de gabinete de Tony Blair, Pierre Joxe, ex-ministro socialista da Defesa e Interior em França e o líder histórico do Sinn Feinn, Gerry Adams.



Toda a esquerda e os partidos nacionalistas bascos, bem como os sindicatos e a confederação patronal Confebask, marcaram presença na Conferência. A ausência mais destacada é a do Partido Popular, apontado pelas sondagens como estando próximo do poder nas eleições de Novembro, e também não compareceu nenhum membro do governo espanhol nem do executivo basco. Por outro lado, do lado francês registaram-se as presenças das delegações do PS da UMP de Sarkozy e do Modem, bem como das centrais sindicais CGT e CFDT.



A Conferência anunciou estar disposta a "organizar um comité de acompanhamento" das recomendações feitas na Declaração, por entender que "na nossa experiência, a presença de terceiras partes observadoras ajudam ao diálogo. Aqui, o diálogo também poderia ser assistido por facilitadores internacionais se assim for decidido pelas partes envolvidas" num futuro processo de paz.



"Instamos a que se adoptem passos profundos para avançar na reconciliação, reconhecer, compensar e assistir a todas as vítimas, reconhecer a dor causada e ajudar a sanar as feridas pessoais e sociais", apela ainda a declaração lida pelo ex-primeiro irlandês.