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“Concessão do Metro é uma PPP gigantesca”

Catarina Martins divulgou a portaria que confirma que o Metro de Lisboa concessionado a privados irá custar mais 23 milhões por ano aos cofres públicos do que até aqui.
Catarina Martins. Foto Paulete Matos

Num comício do Bloco em Setúbal, o tema das Parcerias Público-Privadas não podia faltar. Afinal, lembrou Catarina Martins, “quem vive na Margem Sul, se atravessar para o outro lado, está sempre a pagar a PPP do Metro do Sul do Tejo, a PPP da Fertagus e paga ainda a primeira PPP feita em Portugal, no tempo de Cavaco Silva, a da Lusoponte.”

"Ontem saiu num anexo do Diário da Republica, lá meio escondido, os números de outra PPP”, prosseguiu a porta-voz do Bloco, referindo-se à portaria que define os encargos orçamentais da concessão do Metro de Lisboa aos espanhóis da Avanza. “O que nos diz o Diário da República é que, nos próximos oito anos, estaremos a pagar 55 milhões euros por ano numa subconcessão, quando no público pagávamos 32 milhões de euros por ano”, explicou.

Catarina Martins lembrou que “quando o governo apresentou a concessão a privados das empresa públicas de transportes, disse que era a forma de poupar milhões de euros em compensações indemnizatórias”, mas agora verifica-se que a fatura dos contribuintes aumentará 23 milhões de euros por ano. Esta concessão tem ainda a particularidade “da dívida da empresa ficar para o Estado e uma parte dos trabalhadores a continuar a ser paga pelo Orçamento do Estado”.

“Que grande negócio este, não? Hoje Paulo Portas e Passos Coelho cantavam juntos ‘Amigos para Sempre'. Não era com certeza das pessoas que vivem neste país que estavam a falar. Talvez destes concessionários a quem dão generosas borlas com uma PPP gigantesca, a maior dos últimos anos a ser entregue a duas semanas das eleições. Isto chama-se assalto ao país e nós estamos aqui para travar o assalto", concluiu a porta-voz do Bloco.

Joana Mortágua: “Direita fez milagre da multiplicação do défice, por obra e graça do Espírito Santo”

Joana Mortágua. Foto Paulete Matos

A cabeça de lista do Bloco de Esquerda pelo círculo de Setúbal, referiu-se aos anúncios do governo e do PSD e CDS sobre a suposta recuperação económica do país como os “milagres da direita”, que agora culminaram no “milagre da multiplicação do défice, por obra e graça do Espírito Santo, com a ajuda do Pai, Cavaco Silva, e do Filho, Passos Coelho”. A origem deste milagre, prosseguiu Joana Mortágua, é “a fé nos mercados e a devoção aos bancos”.

“Para acabar com as Parcerias Público-Privadas dos transportes deste distrito, que já custaram mil milhões ao povo, não é preciso um milagre da direita, é preciso confrontar os interesses privados. Para dar um médico de família aos 200 mil utentes deste distrito que não têm acesso a médico de família, não é preciso uma revelação. Basta a coragem de recusar pagar em juros a dívida por ano o mesmo que se paga para o SNS”, defendeu Joana Mortágua.

A candidata bloquista por Setúbal afirmou ainda que “o voto não pode se um ato de fé numa política que já falhou e só promete mais do mesmo”. E que no dia 4 de outubro, a sua geração, “a quem mandaram emigrar, vai dizer Não. Nós vamos ficar aqui, vamos lutar e não vamos dar tréguas até correr com aquela gente que rouba a nossa gente, os nossos pais, os nossos avós, e que se nós deixarmos vai roubar os nossos filhos e os nossos netos”, concluiu Joana Mortágua.

António Chora: “Programa do PS foi escrito por neoliberais”

António Chora. Foto Paulete Matos

Num comício em que intervieram também Luís Cordeiro e Álvaro Arranja, além da música de Benjamin, o mandatário nacional da candidatura do Bloco falou da exploração da precariedade laboral e das medidas “dramáticas e com ódio de classe extremo” promovidas pelo governo PSD/CDS, como “a redução por decreto do valor do trabalho extraordinário, o prolongamento dos contratos a termo até praticamente seis anos, o aumento de mais sete dias de trabalho anuais num país que já é dos que mais horas trabalha na zona euro, os falsos estágios profissionais e a caducidade dos contratos coletivos de trabalho para que as relações laborais, em termos de direitos e salários, caminhem para a escravatura”.

António Chora lembrou que as “maldades e vigarices” do governo foram sempre feitas em nome da redução do défice e da dívida “e afinal a dívida aumentou e o défice é o mesmo de 2011”. E defendeu que o voto no PS “não é o voto numa alternativa, mas na alternância”, já que o programa eleitoral do PS, com congelamento de pensões, corte nas pensões futuras e facilitação dos despedimentos, “foi escrito por neoliberais”.

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