Herdeiro do Partido Comunista iraniano e fundado em 1941, o partido Tudeh seguiu a linha pró-soviética no país e acabou desmantelado e com milhares de militantes executados e presos. Hoje sobrevive com atividade política na clandestinidade dentro do Irão e através de quadros no exílio em países como a França ou a Alemanha.
Em comunicado, o partido reagiu à agressão militar dos EUA e Israel à morte do líder supremo do regime, Ali Khamenei, a par de outros dirigentes do aparelho repressivo iraniano do qual Khamenei era o primeiro responsável. “Ao implementar políticas económicas destinadas a garantir os interesses do grande capital, ele levou dezenas de milhões de iranianos à pobreza e à privação. A sua família e os seus colaboradores próximos também saquearam a riqueza e os recursos da nação. A morte do líder supremo do regime pode marcar o início de desenvolvimentos que abram caminho para o povo governar o seu próprio destino e a sua própria vida e para a alvorada da liberdade e da justiça no país”, afirmam.
O partido recusa que esse futuro passe pelos planos do imperialismo de Trump e Netanyahu de instalar “os seus agentes iranianos como Reza Pahlavi” para transformarem o país numa “semi-colónia dos EUA na região”, ou para enredarem o Irão numa guerra civil étnico-religiosa prolongada, à semelhança do que aconteceu na Líbia ou na Síria, com o objetivo de “destruírem completamente a soberania nacional e fragmentarem o Irão”.
Para o partido Tudeh, um povo que chorou durante décadas os seus mortos às mãos do regime, que enfrentou a pobreza, a destruição ambiental e continuou a lutar e a enfrentar a repressão “tem a maturidade a consciência necessárias para determinar os futuros líderes e o caminho do país” e por isso “não precisa de líderes nomeados ou impostos por agressores e saqueadores estrangeiros ou pelos seus agentes iranianos, estejam fora ou dentro do pais”.
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Arron Reza Merat
Na mensagem aos seus compatriotas, os comunistas iranianos dizem que a continuação da guerra e dos bombardeamentos às infraestruturas básicas do país não serve o interesse nacional nem as aspirações a liberdade, justiça e à transição completa do atual regime autoritário. E alertam que “os líderes remanescentes do regime, a fim de preservar este sistema e os seus próprios interesses, estão dispostos a aceitar qualquer acordo com Trump e Netanyahu para manter o seu poder instável e colocar o Irão, os interesses nacionais do país e os trabalhadores num leilão histórico”, acabando por substituir um ditador por outro e condenar de novo o país a décadas de atraso enquanto as suas riquezas seriam saqueadas por um punhado de grandes capitalistas.
Este cenário só pode ser evitado, concluem, a partir de um cessar-fogo que crie as condições para “uma transição rumo a um Irão libertado do despotismo e da injustiça”, em que sejam os iranianos a decidir o seu futuro, com a libertação de todos os presos políticos, a formação de um governo nacional e democrático.