Eleições na Dinamarca ditam mudanças no governo

25 de março 2026 - 12:18

Social-democratas de Mette Frederiksen venceram, mas são os que mais deputados perdem. Pela primeira vez, a Aliança Verde-Vermelha é a mais votada em Copenhaga.

PARTILHAR
Mette Frederiksen em campanha
Mette Frederiksen em campanha. Foto publicada nas redes sociais do partido.

As eleições na Dinamarca foram antecipadas pela primeira-ministra Mette Frederiksen, mas o resultado baralhou ainda mais as contas do hemiciclo onde cabem agora doze partidos. Nenhum dos blocos à direita e à esquerda dispõe de maioria, tornando os Moderados, do até agora Ministro dos Negócios Estrangeiros Lars Lokke Rasmussen, decisivo para viabilizar o próximo executivo, apesar de ter perdido dois deputados e ser agora o sexto partido mais votado.

A primeira-ministra apresentou esta quarta-feira a sua demissão para se poderem iniciar as negociações para a formação de um novo governo com urgência. “O mundo não vai ficar à nossa espera e está hoje mais instável do que no início desta eleição”, afirmou. Na mira de Frederiksen está a possibilidade de formar uma aliança que vá dos Moderados à Aliança Verde e Vermelha, ultrapassando a fasquia dos 90 deputados necessários para formar maioria.

Entre os maiores partidos, acima dos 10% de votação, quem mais perdeu foram os Social-Democratas (21.85% e menos 12 deputados) e os conservadores-liberais do Venstre, do atual vice-primeiro-ministro Troels Lund Poulsen (10.14% e menos cinco deputados), ultrapassados na segunda posição pela Esquerda Verde (11.59% e mais cinco deputados).

A maior subida, com 9,1% e mais onze deputados, pertence à extrema-direita populista do Partido do Povo Dinamarquês, que há quinze anos chegou a ser o terceiro partido, entrando depois em declínio à medida que o seu discurso anti-imigração era assimilado pelos partidos concorrentes e as suas medidas implementadas pelos governos conservadores-liberais que viabilizou. Nos últimos anos radicalizou o discurso, defendendo a remigração e deportações em massa, bem como a revisão dos processos de atribuição de cidadania dos últimos 20 anos. No debate entre os líderes na manhã desta quarta-feira, a ainda primeira-ministra criticou o líder deste partido, Morten Messerschmidt, por ter sido congratulado por Viktor Órban. “Quando Viktor Orbán felicita alguém pelas eleições, é porque vê uma oportunidade de enfraquecer a Europa, de nos dividir”, apontou Mette Frederiksen.

À esquerda, além da subida expressiva da Esquerda Verde, também a Aliança Verde-Vermelha cresceu nesta eleição, com 6,34% dos votos, elegendo onze deputados, mais dois do que em 2022. O partido festejou uma conquista histórica, tornando-se o mais votado no círculo de Copenhaga, onde a vitória coube aos social-democratas desde sempre. Nas negociações para um eventual apoio a um governo liderado por Mette Frederiksen, o partido coloca como condição um plano detalhado para reduzir a desigualdade, com metas a serem avaliadas ao fim de um ano.

No círculo eleitoral da Gronelândia, que elege dois deputados ao parlamento dinamarquês, o partido da esquerda independentista Inuit Ataqatigiit foi o mais votado, posição que tinha perdido em 2022 para os social-democratas do Siumut. Este partido entrou em queda livre nesta eleição, perdendo para os nacionalistas do Naleraq o mandato que detinha desde 1979.

Termos relacionados: Internacional