A manifestação do Dia do Estudante foi convocada por mais de 40 estruturas do movimento associativo estudantil e juntou milhares de manifestantes em Lisboa. Na agenda das reivindicações continua a exigência da gratuitidade do Ensino Superior, depois de o PSD e o CDS terem tentado aumentar as propinas no Orçamento do Estado para este ano e visto essa proposta chumbada pela oposição.
Empunhando cartazes onde se lia “com as residências da FCT por abrir, onde vamos dormir?” ou a “Educação é um direito”. estudantes reclamam também o cumprimento do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), para que haja mais residências e apoio ao alojamento numa altura em que a crise da habitação está a impedir muitos jovens de aceder ou continuar a estudar no Ensino Superior nas principais cidades do país. O PNAES prevê a disponibilização de 18 mil camas, quando existem cerca de 175 mil estudantes deslocados no Ensino Superior.
Ensino Superior
Estudantes endividados: mais de 36 milhões de euros em propinas atrasadas
Outra das razões para sair à rua é a contestação à reforma do Governo para o sistema de ação social, com os estudantes a defenderem um modelo que alargue o universo de bolseiros e com montante que efetivamente correspondam aos custos de frequência do Ensino Superior em Portugal.
Presente na manifestação, o coordenador do Bloco de Esquerda foi questionado pelos jornalistas sobre a intenção do ministro da Educação de aumentar o valor das propinas ao ritmo da inflação. “A política do Governo de aumentar propinas - quando em governos anterior houve um corte e até uma eliminação de propinas no horizonte - é a marca deste Governo relativamente aos estudantes do Ensino Superior”, afirmou.
José Manuel Pureza, que é professor na Universidade de Coimbra, vê hoje os estudantes “confrontados com um custo de vida galopante que põe em risco a sua permanência no Ensino Superior e a capacidade de projetarem uma vida com a frequência do Ensino Superior”. E perante o aumento em particular do custo da habitação, lamenta que o ministro, “ao anunciar o aumento de propinas, em vez de resolver o problema está a agravá-lo”.
Numa saudação ao Dia do Estudante “que desde antes do 25 de Abril é um dia de luta e assim deve ser considerado”, Pureza afirmou que o Bloco de Esquerda se associa “aos estudantes e às estudantes que no país inteiro vêm hoje à rua dizer que as condições que lhes são dadas em termos de custo de vida e de habitação são insuportáveis e que tem de haver uma alteração substancial da política do Governo para que os estudantes possam estudar e possam projetar a sua vida para o futuro”.