Os ataques à comunidade cigana no concelho de Albufeira feitos pelo presidente da autarquia em plena Assembleia Municipal terão estado na origem da operação policial que levou esta quarta-feira a PJ a fazer buscas nas instalações da autarquia.
Rui Cristina, ex-deputado do PSD que transitou para o Chega e foi eleito presidente da Câmara de Albufeira, disse em novembro aos deputados municipais: “Eu não vou gastar dinheiro com a etnia cigana enquanto tenho aqui os albufeirenses com necessidade de casa.(…) Podem-me chamar xenófobo ou o que vocês quiserem. Primeiro estamos nós que pagamos impostos e que temos necessidades. E depois estão estas comunidades. Desculpem lá, isto é tão simples como eu estou aqui a dizer preto no branco. E é assim que vai ser.”
Em seguida, o autarca publicou o vídeo com esta intervenção nas suas redes sociais, amplificando o alcance da sua promessa discriminatória. Segundo a CNN Portugal, no mandado de busca emitido pelo Ministério Público de Évora é ordenada a apreensão para clonagem de suportes digitais na autarquia, onde a investigação poderá encontrar mais indícios destes e outros crimes.
Antes de ser investigado neste caso, Rui Cristina tinha sido notícia logo após tomar posse por contratar a sua irmã para um cargo dirigente da autarquia, assessorando o gabinete da presidência. “Sei que todos os presidentes de Câmara gostariam de ter uma irmã qualificada como esta para trabalhar em prol dos munícipes!”, disse o eleito pelo Chega em resposta às acusações de distribuir “tachos” pela família.