Está aqui

Com desconfinamento, qualidade do ar mantém-se excelente em Lisboa e piora no Porto

A associação ambientalista Zero considera “desejável a retoma do funcionamento” das cidades. Mas defende que estas medições deveriam despertar-nos para “a capacidade de implementarmos de forma justa e progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro” melhorar a qualidade de vida.

Em comunicado emitido este domingo, a associação ambientalista Zero informou sobre os resultados da sua análise à qualidade do ar nas duas maiores cidades do país.

Estes são contrastantes. Em Lisboa, a concentração média de dióxido de azoto nos dias úteis da última semana, “foi mais reduzida em todas as estações comparativamente com a média das concentrações nos dias úteis desde o estado de alerta até ao final do estado de emergência”. Estes valores, sublinha a organização “já estavam muito abaixo da média do verificado desde o início do ano até ao estado de alerta”.

Na estação de monitorização da Avenida da Liberdade quebram-se “sucessivos recordes” nas análises. No período alargado em 16 de março e a passada sexta-feira, a média de concentração de dióxido de azoto “nunca havia sido tão baixa desde 1994 (ano em que a estação iniciou o seu funcionamento) durante tanto tempo (quase dois meses)”.

No caso do Porto, a Zero ressalva que apenas avaliou “a única das duas estações de monitorização de qualidade do ar que apenas tem dados disponíveis desde o início de abril” e que esta, na Praça Francisco Sá Carneiro, próximo de Campanhã, está na proximidade de um semáforo, “o que pode interferir nos dados”. Aí, a média de concentrações nos dias úteis entre a última semana de estado de emergência aumentou 9 mg/m3, de 34 para 43 mg/m3 quando comparada com a semana passada. Ainda assim, nota-se, trata-se de valores “mais reduzidos do que as concentrações verificadas nas semanas de 13 a 17 de abril e de 20 a 24 de abril”.

A Zero faz estas análises a partir dos dados provisórios disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente provenientes das estações de monitorização da qualidade do ar geridas pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Segundo a organização, a medição da concentração do dióxido de azoto é “um excelente indicador da poluição associada à atividade humana e tem sido usado por diversas entidades e universidades à escala mundial para avaliar o impacte da quebra da atividade económica e da mobilidade na qualidade do ar associadas às medidas restritivas impostas pelo controlo da pandemia de covid-19”.

Este poluente, é “principalmente consequência direta dos processos de combustão que têm lugar nos veículos” e, em concentrações elevadas, “causa efeitos que vão desde a irritação dos olhos e garganta, até à afetação das vias respiratórias, provocando diminuição da capacidade respiratória, dores no peito, edema pulmonar e danos no sistema nervoso central e nos tecidos”.

Sobre a capital, a associação ambientalista destaca que é “desejável a retoma do funcionamento” sendo que “estes valores recorde que assegurariam a salvaguarda da saúde pública de quem habita e trabalha no centro de Lisboa”. Por isso, apela-se para a “capacidade de implementarmos de forma justa e progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro garantir o cumprimento da legislação e melhorem a qualidade de vida numa das áreas mais nobres da cidade”.

Termos relacionados Covid-19, Ambiente
(...)