Está aqui

Coligação de direita promove “campanha de enganos e mentiras”

Sobre o apelo de Passos Coelho a um consenso, Catarina Martins destacou: “Não nos enganemos: onde não há vontade de mudar, vem-se falar de consenso para que fique tudo na mesma”. Alfredo Barroso afirmou que vai votar Bloco nas próximas legislativas, um voto útil "por convicção".
Foto de Paulete Matos.

Durante a intervenção no comício que teve lugar esta sexta-feira em Faro, a dirigente bloquista voltou a referir-se ao anúncio do Governo sobre a devolução, em 2016, de um terço da sobretaxa de IRS: o “plano genial” do executivo PSD/CDS-PP só tem “um pequenino problema - é uma treta”.

A porta-voz do Bloco adiantou que, ao atrasar as devoluções do IVA, o Governo está a fazer com que as empresas patrocinem o seu “número de propaganda eleitoral “.

“Passadas as eleições”, e depois da regularização dos reembolsos do IVA, “lá se foi a devolução da sobretaxa”, afirmou Catarina Martins, questionando: “Em quem é que confiam mais - no Passos Coelho de 2011 que não ia cortar no subsídio de Natal ou em Passos Coelho de 2015 que vai devolver a sobretaxa em 2016?”

Segundo a dirigente bloquista, “à falta de propostas para o país”, o Governo “tem-nos falado da sua fé e das suas convicções: Pedro Passos Coelho está convencido que vai devolver a sobretaxa, mesmo que todos os números desmontem o número de propaganda; Maria Luís Albuquerque está convencida que vai cumprir a meta do défice, mesmo que todos os números digam que depois de já ter o défice no dobro nos primeiros seis meses do ano é impossível chegar à meta do défice no final do ano; o Governo está convencido que criou uma nova economia exportadora, mesmo que a maior exportação que o país tenha para mostrar seja o quase meio milhão de pessoas que foram obrigadas a abandonar o país”.

“E lá vai a coligação de direita disfarçando de convicção aquilo que tem outro nome"”, disse a porta-voz do Bloco, defendendo que PSD e CDS-PP têm promovido “uma campanha de enganos e mentiras”.

Catarina Martins destacou ainda que Passos Coelho deu mais “um passo em frente no precipício do maltrato da democracia”, juntando ao engano “o apelo ao consenso”.

“Soubemos agora que Pedro Passos Coelho é um homem que gosta de diálogos. Acabou com a contratação coletiva e não quis saber da concertação social para nada, nunca leu a Constituição da República Portuguesa, mas agora, mesmo antes das eleições, eis que descobrimos um democrata da República que quer fazer amplos consensos”, vincou.

“Não nos enganemos: onde não há vontade de mudar, vem-se falar de consenso para que fique tudo na mesma”, referiu a dirigente bloquista, acrescentando que, “onde não há diferença entre quem se diz empatado, fala-se de consenso, como se a democracia fosse uma coisa mole, de conversetas, em que o que dizemos não interessa porque depois alguém lá para Bruxelas ou lá para o grupo económico que tenha comprado mais um setor estratégico português há-de decidir sobre a nossa vida”.

Para Catarina Martins, o apelo ao consenso de Pedro Passos Coelho “é uma prova da sua incapacidade de viver em democracia e da sua visão autoritária do país, de quem acha que a austeridade é o princípio e o fim de tudo e que há-de ser derrotado porque a sua austeridade falhou”.

“A derrota da austeridade será a derrota da coligação PSD/CDS-PP”, sublinhou.

A cabeça de lista do Bloco pelo distrito do Porto lembrou ainda que “não há nenhuma diferença de fundo para o rumo do nosso país entre quem quer cortar as pensões ou quem as quer reduzir por via do seu congelamento”.

“Não aceitamos falsas escolhas daquilo que é igual”, frisou.

“Não há austeridade suave"

Alfredo Barroso. Foto Paulete Matos

O fundador do PS e ex-militante socialista Alfredo Barroso falou sobre “a mentira, amnésia, a resignação, mas também sobre a alternância sem alternativa que continua a viciar o nosso sistema democrático”.

Alfredo Barroso referiu-se a Passos Coelho como um “primeiro-ministro sem programa à vista para o futuro”, que “não se cansa de falar do passado, distorcendo-o constantemente”: um “mentiroso compulsivo”, que “mentiu para ganhar as eleições e conquistar o poder e continua a mentir”.

O passado deste Governo “não é bonito de se ver”, avançou, acusando a coligação de direita de empobrecer o país e de, “seguindo uma agenda e a doutrina neoliberal dominante”, se ter “sujeitado completamente aos ditames da Comissão Europeia e do governo alemão”, bem como de ter imposto “o domínio do capital financeiro sobre a economia”.

Alfredo Barroso destacou que vai escolher Bloco nas próximas legislativas, um voto útil "por convicção".

"Fica aqui um aviso à esquerda de governo ou esquerda rotativa, como eu lhe chamo, que pelos vistos não tem emenda: sem ruturas irá claudicar mais uma vez se alcançar o poder, por incapacidade de resistir às forças não legitimadas democraticamente que continuam a condicionar as vidas de milhões de portugueses. Não há austeridade suave", alertou.

"A alternância entre partidos políticos que não representam verdadeiras alternativas - sejam eles conservadores, liberais, trabalhistas, social-democratas e até socialistas - todos eles rendidos à ideologia neoliberal, continua a traduzir-se num rotativismo deprimente e estéril", acusou ainda.

Alfredo Barroso terminou a sua intervenção como acabava, "há muitos anos, as intervenções que fazia nos comícios: Viva à República, viva o Socialismo e, neste caso, viva o Bloco de Esquerda".

Bloco é “referencial de esperança” para milhares de pessoas

João Vasconcelos. Foto Paulete Matos

O cabeça de lista por Faro, João Vasconcelos, frisou que o “Bloco de Esquerda é um referencial de esperança” para milhares de pessoas, especialmente para aqueles que estão no desemprego, que foram atirados para a exclusão social ou que se viram obrigados a emigrar.

Segundo João Vasconcelos, é preciso uma “alternativa de esquerda que, de facto, combata a austeridade”, que garanta uma redistribuição da riqueza, a reestruturação da dívida, “libertando milhões a favor do emprego e do investimento”, que exija que o BCE devolva os milhões que lucrou com a dívida portuguesa, que ponha em marcha um choque fiscal e taxe as grandes fortunas, que baixe o IVA da restauração e da electricidade e devolva os salários, pensões e subsídios cortados.

Durante a sua intervenção, o candidato bloquista falou ainda nos negócios obscuros das parcerias público privadas que tanto têm prejudicado o país, dando o exemplo da Via do Infante.

Termos relacionados legislativas 2015, Política
Comentários (1)