No manifesto que convoca a iniciativa, o Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia de Lisboa lembra que o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial foi instituído pelas nações Unidas na sequência do massacre de Shaperville, na África do Sul, ocorrido a 21 de março de 1960.
Nessa data, “20 mil negros protestavam contra uma lei que limitava os lugares por onde eles podiam circular. A manifestação era pacífica, mas tropas do Exército atiraram contra a multidão. 69 pessoas morreram e outras 186 ficaram feridas, no episódio que ficou conhecido como massacre de Shaperville”, lê-se no documento.
Em Lisboa, os coletivos que integram o Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia vão realizar uma homenagem às vítimas de violência racial e xenófoba em Portugal, no Largo José Saramago, o antigo Campo das Cebolas, local onde deveria estar instalado, neste momento, o Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas, a “Plantação”, projeto da autoria do artista angolano Kiluanji Kia Henda, recordando os milhões de pessoas escravizadas pelo império português. A iniciativa terá início às 18h.
Sobre o local escolhido para a concentração, lembram que o Projeto “Plantação”, aprovado no âmbito do Orçamento Participativo de Lisboa de 2017, sob proposta da Djass – Associação de Afrodescendentes, continua por executar, por questões relacionadas com divergências sobre a localização do Memorial, ainda que a sua localização no Largo José Saramago tenha partido do próprio Município, em 2019.
“O objetivo principal do Memorial é prestar tributo à memória dos milhões de africanas e africanos escravizados por Portugal ao longo da sua História, nomeadamente entre os séculos XV e XIX. Uma homenagem às vítimas e resistentes de ontem e de hoje, que pretende promover o reconhecimento histórico do papel de Portugal na Escravatura e no tráfico de pessoas escravizadas e evocar os legados desse longo período na sociedade portuguesa atual, desde a rica herança cultural africana às formas contemporâneas de opressão e discriminação”, explicam os coletivos.
Perante o “aumento de casos de racismo e xenofobia em Portugal, a ascensão da extrema-direita fascista e a omissão de assunção de responsabilidades por parte das autoridades que têm obrigação de fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, na defesa da democracia e dos valores do 25 de abril”, os promotores da concentração da próxima quinta-feira consideram que é “imperativa a união de todas as pessoas que acreditam que é possível combater o racismo estrutural e institucional na sociedade portuguesa”.
“Unidos no compromisso de combater todas as formas de racismo, xenofobia e intolerância, e de promover um mundo onde a diversidade seja celebrada e cada indivíduo seja tratado com dignidade e respeito”, os coletivos apelam à participação nesta ação “das pessoas que partilhem os mesmos valores”. “A luta contra o racismo e a xenofobia, é o que nos move e ninguém nos irá silenciar!”, garantem.