CNA responsabiliza Governo pela “extensão e violência dos fogos”

03 de setembro 2013 - 23:03

Esta terça feira, João Dinis, dirigente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), afirmou que a “extensão e a violência” dos fogos resultam da “ausência de políticas públicas e más políticas" e de cortes orçamentais “brutais”.

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Foto Robvini, flickr.

Segundo adiantou João Dinis durante uma audição no âmbito da Comissão Parlamentar da Agricultura e Mar, a "paranóia do fogo posto" serve unicamente para desviar atenções e para "esconder o essencial da questão", que são as "políticas incendiárias promovidas ao longo dos anos".

"Há manipulação do drama e da tragédia, o desvio das atenções e dos sentimentos para o fogo posto, para as detenções e para as penas", lamentou, defendendo que é necessário "inverter políticas e investir na floresta".

"Este Governo cortou milhões de euros na prevenção no Orçamento do Estado. A falta de prevenção, a falta de ordenamento florestal, o êxodo das populações são as causas da extensão dos incêndios", afirmou o dirigente da CNA.

"A nossa experiência diz-nos que a extensão e a violência são ajudadas pelas condições climáticas, mas são determinadas pela ausência de políticas públicas e más políticas", reforçou ainda João Dinis, aludindo às "manchas contínuas de eucalipto e pinheiro" e ao abandono da agricultura familiar.

As "celuloses que decretaram guerra aos baldios" e a "política florestal fomentada no eucalipto" foram alvo de críticas por parte deste responsável.

"Os cortes orçamentais brutais nos últimos dois anos no Proder [instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural], nas florestas, na prevenção, no desmantelamento dos serviços florestais públicos, de gente que conhecia a floresta e apoiava as populações, e os baixos preços da madeira, que provocam desmotivação económica pela floresta, estão na base da violência dos fogos", avançou.

Pedro Santos, também representante da CNA, apontou que, desde o início do ano passado, o orçamento destinado às medidas florestais já foi reduzido em 162 milhões de euros.

"Representa um corte de 37% que deixa de estar disponível em termos de floresta. Se continuarmos com este tipo de políticas nunca vamos ultrapassar isto", frisou, lembrando que só a verba relacionada com a "Minimização dos Riscos" registou um decréscimo de 60%.

João Dinis defendeu ainda que o "Estado tem obrigação de indemnizar [as vítimas dos incêndios], porque também indemnizam os banqueiros pelas trafulhices que fazem".