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Cláudia Simões foi ouvida cinco meses após queixa contra PSP

A mulher de 42 anos que acusou a PSP de a agredir a socos e de proferir insultos racistas em janeiro foi ouvida no final de junho pela Inspeção-Geral da Administração Interna. A sua advogada considera que esta demora é “lamentável”.
Manifestação contra o racismo. Lisboa, fevereiro de 2020.

Cláudia Simões apresentou queixa contra a Polícia de Segurança Pública em janeiro, denunciando a agressão sofrida às mãos de agentes da Polícia de Segurança Pública no dia 19 desse mês. Tudo terá começado quando o motorista do autocarro da Vimeca onde viajava chamou a polícia por ter visto que Vitória, a filha de oito anos de Cláudia Simões, viajava sem o passe, ainda que as crianças com menos de 12 anos podem viajar de autocarro sem pagar. A 25 de junho, foi ouvida pelo Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) no âmbito do processo disciplinar entretanto aberto ao agente.

“Lamento que o órgão responsável pelos processos disciplinares junto do Ministério da Administração Interna demorem tanto tempo”, lamentou a sua advogada. De acordo com Ana Cristina Domingues, citada pelo Público, esta demora, é “um problema” para a Justiça. Porém, Cláudia Simões conseguiu relatar a agressão ocorrida em janeiro: “Uma situação como aquela que ela viveu não se apaga em meses nem em anos”.

Fonte do IGAI afirmou ao jornal diário que o processo “não tem estado parado” e que a investigação tem sido “exaustiva” e que já foram inquiridas 26 pessoas. O serviço de controlo externo da atividade policial, tuteado pelo Ministério da Administração Interna (MAI), avançou com uma primeira data para ouvir Cláudia Simões, também no mês de junho, porém, a queixosa não tinha então disponibilidade. A mesma fonte refere que existiam divergências com a informação relativa à morada, alegando que este facto se terá traduzido no atrasou na notificação de Cláudia Simões.

A par do processo disciplinar que recai sobre Carlos Canha, o agente da PSP é ainda arguido de um inquérito a decorrer no Ministério Público. Esta semana, Cláudia Simões foi reconhecida pelo Juiz de Instrução com a qualidade de assistente o que, de acordo com a sua advogada, lhe permite “ter um papel ativo no processo”.

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