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Cidades europeias voltaram a ser palco de manifestações pelo clima

Em Londres, os manifestantes paralisaram as principais artérias da capital inglesa. Já em Paris, os protestos deixaram encerradas algumas das maiores empresas de França. Greta Thunberg deixou um alerta em Roma: “Temos que estar preparados para lutar muito tempo”.
Foto de WILL OLIVER, EPA/Lusa.

Os protestos ambientalistas convocados para esta semana por todo o mundo sob a bandeira Extinction Rebellion voltaram a encher as ruas de Londres esta sexta-feira, com os manifestantes a paralisarem as principais artérias da capital inglesa.

O barco cor de rosa que percorreu Oxfords Circus, ao qual foi dado o nome da líder indígena e ativista Berta Cáceres, acabou por ser confiscado pela polícia.

Dezenas de pessoas foram detidas, sendo que, no total, as autoridades já procederam a perto de 600 detenções relacionadas com protestos pela defesa do clima.

A atriz Emma Thompson acusou os nossos governos de assinarem acordos “onde se comprometeram a procurar formas de usar mais energia limpa” e depois ignorarem-nos. “Quem são os hipócritas agora?", questionou.

A GreenPeace e a Associação Amigos da Terra organizaram o protesto em França. Os ativistas impediram que centenas de trabalhadores acedessem às instalações da sede do banco Société Générale, que acusam de ser o que mais investe em combustíveis fósseis, da elétrica francesa, e da gigante do petróleo, Total. A polícia usou gás pimenta para dispersar os manifestantes.

De acordo com as autoridades, o protesto "Sextas pelo Futuro" reuniu cerca de 3500 pessoas na Piazza del Popolo, em Roma. A jovem ativista sueca Greta Thunberg frisou que “o problema básico é que nada está a ser feito para travar a catástrofe ambiental".

“Temos que estar preparados para lutar muito tempo. Semanas e meses não serão suficientes, vai levar anos", alertou.

Em Portugal, a semana ficou marcada por inúmeras ações de protestos, entre as quais a invasão de uma emissão em direto da CMTV, da sede da EDP em Lisboa, e do espaço da H&M no Chiado, uma concentração à porta da Refinaria da Galp em Matosinhos e em frente ao Ministério da Agricultura, esta última contra os Acordos Contratuais com a China, bem como uma iniciativa às portas do evento “European Climate Summit”, cimeira que une empresas petrolíferas e o governo português.

O movimento Extinction Rebellion, criado em maio do ano passado no Reino Unido, defende o uso de táticas de desobediência civil, mas sem recorrer a violência, como forma de criar consciência para a urgência das questões ambientais e forçar os governos a tomar medidas. Entende que estes objetivos não estão a ser conseguidos por formas mais convencionais de protesto, e afirma inspirar-se no legado político e de intervenção não-violenta de figuras como Ghandi, Martin Luther King, as sufragistas, bem como movimentos mais recentes como o Occupy.

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