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China: Wukan, a vitória da rebeldia

Vilarejo na costa da província de Guangdong elege o reformista Lin Zuluan para a autarquia, depois de um levantamento que levou à destituição dos líderes locais e ao fim das negociatas em torno da venda de terras.
Funeral de Xue Jimbo em Wukan. Foto wikimedia commons.

O vilarejo de Wukan, na costa da província de Guangdong, China, elegeu para a autarquia local Lin Zuluan com 6205 votos, correspondendo a 80% dos votantes. Do ponto de vista eleitoral trata-se de um pequeno número, mas que se torna gigantesco quando considerado na arena política.

Desde setembro, a população de Wukan vinha travando uma batalha contra a apropriação das suas terras por empresas de construção em conluio com dirigentes corruptos do Partido Comunista Chinês.

Em dezembro do ano passado, um dos lideres da luta de resistência do povoado, Xue Jimbo, foi assassinado quando se encontrava em custódia policial. Segundo declararam familiares, Xue Jimbo apresentava graves ferimentos e sinais de tortura. A polícia alegou que Jimbo morrera devido a problemas cardíacos.

Foi a gota d'água que acendeu o pavio da revolta. Durante vários dias, a população de Wukan tomou o povoado, que foi completamente cercado e isolado pela polícia. A força do levante ganhou o noticiário internacional e, para evitar que a própria população chinesa visse nesse episódio um exemplo a ser seguido, a burocracia comunista teve de fazer inúmeras concessões. Destituiu as lideranças locais do partido, barrou as negociatas das terras e libertou ativistas presos.

Exemplo de luta

A eleição de Lin Zuluan, um dirigente reformista, representa, mesmo assim, uma vitória da rebeldia. É a demonstração de que, sim, é necessário lutar para se defender e, mais do que isso, a rebeldia pode vencer. É exatamente por esse motivo que esse pequeno número eleitoral tem um gigantesco significado. Uma revolução silenciosa percorre a China, a maior população do planeta, e o exemplo de Wukan mostra que as massas chinesas podem vencer a burocracia comunista e implantar um governo próprio.

Crise chinesa aprofunda-se

O governo chinês declarou uma revisão na projeção de crescimento económico para 7,5% este ano. Ainda que nos marcos de crescimento económico, os números exprimem o retrocesso, já que, em 2010, o crescimento foi de 10,4%. Em 2011, baixou para 9,2% e, devido ao cenário económico internacional, agora está claro que não há forma de evitar o caminho da queda, já que a economia chinesa está atada às exportações, e todos os países imperialistas estão na rota da recessão.

A China transformou-se na segunda potência mundial, mas essa realidade está distante das mesas dos trabalhadores chineses, cuja maioria permanece na pobreza. A China continua a ser um dos países mais repressivos do planeta. Milhares de ativistas estão encarcerados – basta lembrar que mesmo Xiaobo, Nobel da Paz, continua nas prisões comunistas. A luta das populações oprimidas, como a do Tibete e da maioria Uighur da província de Xinjiang, continua a ser uma fonte de poderosas dores de cabeça para a burocracia governante. Os protestos continuam, como o recente caso da jovem tibetana que ateou fogo ao seu próprio corpo como forma de protesto.

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