China responde à ameaça do aumento de tarifas de Trump

04 de fevereiro 2025 - 20:55

A resposta chinesa é considerada comedida mas pode chegar aos bolsos de Musk. Autoridades do país anunciaram também que vão abrir inquérito à Google por monopólio, designaram de “não confiáveis” a dona da Calvin Klein e a empresa de biotecnologia Illumina e vão controlar a exportação de mais matérias-primas decisivas para novas tecnologias.

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 Fábrica da G.Tech Technology em Zhuhai na China
Fábrica da G.Tech Technology em Zhuhai na China. Foto wikimedia commons.

Depois de Donald Trump ter anunciado um aumento de tarifas de todas as importações chinesas, o governo de Pequim retaliou comedidamente com tarifas sobre alguns produtos específicos como o carvão e gás natural liquefeito (15%), petróleo, maquinaria agrícola e alguns tipos de veículos automóveis (10%) , que entrarão em vigor na próxima segunda-feira.

A empresa de investimento Capital Economics estima que as tarifas chinesas se apliquem apenas a perto de 20 mil milhões de dólares de importações anuais, enquanto que as decretadas pelo presidente norte-americano e já em vigor pesam 450 mil milhões de dólares.

Para além disso, Pequim irá implementar medidas visando um conjunto de empresas dos EUA. Em causa estão empresas como a Google e a empresa dona da marca Calvin Klein.

No caso da Google, a Administração Estatal para a Regulação do Mercado informou que lançou uma investigação por suspeita de violação da lei anti-monopólio. A presença da empresa no país é limitada, correspondendo apenas a 1% das suas vendas globais, e o seu famoso motor de pesquisa está aí bloqueado.

Já a PVH Corp, empresa dona de marcas de roupa como a Calvin Klein e a Tommy Hilfiger, e a Illumina, do ramo da biotecnologia, foram colocadas na lista de “entidades não confiáveis” do Ministério do Comércio chinês por “medidas discriminatórias contra empresas chinesas” e por atacar os direitos e interesses “legítimos” de empresas chinesas. Por si só a colocação na lista não tem efeitos imediatos mas pode conduzir a multas, revogação de permissões de residência de trabalhadores estrangeiros entre outras sanções.

Para os fabricantes de equipamentos agrícolas haverá tarifas de 10%. Isto inclui gigantes mundiais como a Caterpillar e a Deere, para além de muitas pequenas e médias empresas. A Reuters avança ainda a possibilidade de isso se aplicar ao Cybertruck, uma carrinha elétrica da Tesla, de Elon Musk, que ocupa um lugar central na administração Trump, ainda à espera de promulgação naquele país. Dependendo da classificação que for atribuída, automóvel de passageiros ou carrinha, pode ou não escapar às taxas adicionais.

Outro campo da guerra comercial entre os dois países são as matérias-primas necessárias para a produção de bens de alta tecnologia. A China vai controlar a exportação de minerais como tungsténio, telúrio, bismuto, molibdénio e índio. Estes somam-se aos elementos já sujeitos a controlo de exportação desde dezembro, como o gálio.

Mas depois de Trump dar o dito por não dito em relação à aplicação de tarifas de 25% sobre as importações vindas do México e do Canadá, em suspenso durante 30 dias supostamente em troca de concessões de aumento de repressão nas fronteiras, há quem espere um novo acordo, tendo o próprio chefe de Estado dos EUA dito que iria falar com Xi Jinping sobre esta matéria.

A principal acusação feita à China na altura da promulgação desta medida é que estaria a “subsidiar e a incentivar de outras maneiras” a entrada de fentanil e de outras drogas nos EUA.

A mesma ameaça, ou bluff, de aumentar tarifas foi feita também sobre as importações europeias no passado domingo.